4.9.13

Aquele amor que não foi

De repente se pegou pensando em todos aqueles amores que ilustraram suas fantasias até aquele momento. Num meio de uma crise ela preferiu viver de ilusão. Do que viveu bem antes.

Voltou para aquele quarto semi-iluminado. Num lugar qualquer. Com aquela música ao fundo que entrava pela janela do bar a poucos metros dali, talvez Fagner ... não recordava e preferiu não se prender a esse detalhe. Lembrou-se do calor. Das peças de roupas que começaram a cair para aplacar um pouco daquela quentura (interna e externa). Do jeito carinhoso e extremamente cuidadoso que ele tinha com ela. Do sorriso sem graça, aquele somente dele e que ela achava lindo. Da forma ousada que ele sabia conquistá-la.

Quando às vezes ela o julgou um menino ele mostrava toda a intensidade das coisas que aprendeu a sua maneira. Se viu ali entrelaçada entre braços e pernas. Sentiu os beijos de leve na nuca. As mãos. E aquele silêncio entre eles que para ela era profundamente acolhedor. Divagou sobre sonhos. Sobre nada. Sobre tudo. Sobre eles. Sobre sentimentos. Rendeu-se aquele ímpeto particular de poucos minutos que deixa o gosto por toda uma noite e parte do dia.

Voltou a realidade.

De tudo o que viveu ela só queria estar agora ali em outros braços, abraços, naquela rede. Faz tempo. E agora é somente, mas um amor que não foi, que se perdeu na loucura da vida e ele nem sabe que ela lembra...

'Um dia vestido
De saudade viva
Faz ressuscitar
Casas mal vividas
Camas repartidas
Faz se revelar
Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar'

(Fagner/Revelação)

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