15 Dezembro 2009

O passado ...

Sentiu-se diferente ao acordar. O pijama … bom o pijama estava grande demais. Um vestido. Sentou na beira da cama. Os pés não tocaram ao chão. Os pés ... pareceram tão ... pequenininhos. Olhou as mãos num assombro. Eram pequenas também. Aproximou-as do rosto para ver melhor, as unhas eram delicadas. Unhas de uma criança. Pegou nos cabelos. Cachinhos. Não se lembrava de ter cabelos cacheados como aqueles ... a não ser quando ...

Pulou da cama. O salto pareceu longo. Viu as bonecas num canto do quarto. Meu Deus! Até a sua boneca bebê aquela que o irmão jogou debaixo de um ônibus estava ali. Correu até o brinquedo. Beijou como se fosse novo. Como se fosse a primeira vez que a tivesse visto. Só agora notara a luz do abajur com detalhes de borboleta refletida na parede. Adorava aquilo. Sentia-se uma borboleta também vendo tantas refletidas em todas as dimensões do seu quarto. Viu o sapato azul claro, num canto. Aquele que nos dias de chuva ficava cinza da lama lisa do quintal.

Sorriu.

Girou a maçaneta. Não se recordava de que ela fosse tão alta e tão dura de abrir. Saiu para o corredor. Próximo a escada, o vaso inglês que ela quebrara no feriado de 15 de novembro. Na ocasião ficou uma tarde toda em cima da goiabeira do pátio, com medo da reação da mãe. No fim Juninho levou a pior, afinal a doce menininha não seria capaz de quebrar o vaso predileto da mamãe. Se ela soubesse que foi durante um rodopio. Num ímpeto de bailarina que a garotinha acertou o vaso...

Já no meio da escada. Parou. Pensou. Respirou fundo e ...

- Paiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. – Gritou bem alto.

O homem apareceu num instante no corredor. No quarto lia um livro acomodado na velha poltrona de couro. Gostava de ler ao acordar. Como é que chamava mesmo ? ah! Exercício de concentração diária. Era um leitor assíduo e um escritor também. Pousou a obra sobre o criado-mudo e apressou os passos para fora do quarto. Ela teria caído da escada? Mas o grito não pareceu de dor? Encontrou-a parada cinco degraus abaixo (a escada tinha 15). A cara mais ingênua do mundo.

- Oi pai. – Disse a garotinha.

Ele sorriu. Ela não tinha jeito. Adorava chamar atenção.

- Oi Isa. Porque você gritou?

Um risinho sapeca.

- Nada não. – Respondeu a menininha.

Ele balançou a cabeça, num de discordância, mas não de raiva.

- Você me assustou. Pensei que tivesse caído da escada. Fico feliz que você esteja bem filha. Vem cá com o papai.

Ela veio saltitando. Adorava pular nos degraus, o que ele achava muito perigoso. Ela aproximou-se. Ele a abraçou.

- Isa! Não pule na escada! Você pode cair! – Advertiu gentilmente.

Ela adorava o jeito do pai. Sempre tão cuidadoso. Tão carinhoso. Tão tranqüilo. Tão gigante. Era o seu super-herói.

- Papai.

- Diga bebê?

- Você esqueceu que sou quase uma aranha?

O homem soltou uma daquelas risadas gostosas. Esquecera que a filha também tinha uma imaginação fértil.

- Não era uma borboleta? – Questionou.

- Eu sou uma aranha, uma borboleta, depende de onde eu estiver!

Deu um beijo na garotinha e voltou para o quarto. Para o seu livro. Ela continuou saltitando na escada. No penúltimo degrau, antes que pulasse para o felpudo carpete da sala ... Acordou.

Passou a mão no rosto. Olhou no relógio sobre a mesa de cabeceira. 07h30. Lembrou que era segunda-feira. Tinha que ir trabalhar. O dever lhe chamava ... e mais uma das suas histórias fabulosas também.


Rolinha não voou, voou



O passarinho da foto é a Maria Helena (não me pergunte o porquê do nome, foi o papai que escolheu). Ela apareceu lá em casa, numa dessas tardes ensolaradas. Acredito que tentou voar e não conseguiu voltar para o ninho. A irmã (ou irmão) que estava junto consegiu alçar vôo, ela não. Quis a natureza que ela esbarrasse com a mamãe e foi adotada.

Viveu cerca de uma semana dentro da cesta onde fica as bananas embaixo do bebedouro. Foi muito mimada. Não teria alguém melhor para cuidar dela senão a mamãe que é formada em biologia e adora animais.


Mas nem tudo são flores... O passarinho debilitado começou a ficar obeso e preguiçoso. Botamos a ave pra malhar. Os exercícios diários consistiam e colocá-la para andar pela casa. Depois de um tempo ela começou a correr (se podemos definir assim) de maneira engraçada.

Numa manhã a mamãe decidiu colocar a M.H pra pegar um solzinho. Pousou-a sobre uma lajota no pátio da cozinha enquanto ia terminar de fazer o almoço. E numa dessas que ninguém espera, ninguém entende, ninguém deduz, quis o destino que a pequena avezinha indefesa ......................... fosse carregada por um gavião!!! Que apareceu sabe Deus de onde!

Não é preciso dizer que todos ficaram tristes. Para compensar a perda, tentei conformar a mamãe dizendo que existem ‘milhares de rolinhas por aí e que com a devastação e toda essa destruição do meio ambiente, os gaviões (sim o vilões!) são os mais prejudicados, já que além de serem ‘desalojados’ dos seus cantinhos, ainda tem que ‘penar’ para encontrar comida.

Pobre Maria Helena ...

Que mundo cruel ...

=(

14 Dezembro 2009

Pulserinha do sexo

Essa é boa (para não dizer ao contrário) vi na Revista Época, mas um daqueles modismos sem nexo ...

São pulseiras comuns, que qualquer garota usaria para ir ao colégio, feitas de silicone, em cores vibrantes e de aparência inocente. [...] Segundo um modismo que surgiu na Inglaterra e chegou ao Brasil recentemente, arrebentar a pulseira de determinada cor obrigaria o portador da pulseira a se submeter ao ato correspondente àquela cor. Pulseira amarela, por exemplo, equivaleria a um abraço. Pulseira preta, a sexo.

[...]Não se sabe como surgiu esse código nem como ele se espalhou entre os adolescentes. Na Inglaterra, as pulseirinhas ganharam o nome de shag bands (algo como “pulseiras da transa”). Lá também surgiu o jogo chamado “snap” (estouro, na tradução do inglês) e o dicionário de cores.

Come on baby ...

Essa paranóia toda me lembrou as teorias de um professor de História de um cursinho pré-vestibular. Ele bradava aos quatro ventos que a garatoda hoje era alienada, que usava essas camisas com anos (tipo 1989), sem se dar conta do que aqueles períodos e cores significavam. Segundo o teacher, muitas datas por exemplo representavam anos de massacre na história mundial.

Quanto as pulserinhas ... precisa de todo esse alarde?



10 Dezembro 2009

Ainda é cedo

Certo. Certo.

Promessas devem ser cumpridas, tratos, afirmações, também. Falhei. Devia ter atualizado o blog, mas vai ... dá um desconto. Estou me reorganizando depois de meses sem aproveitar a liberdade de ler um livro em paz.

Aliás continuo com o André Vianco na cabeceira. Depois de ‘O Senhor da Chuva’,‘A Casa’,‘Sementes no Gelo’, ‘Os Sete’ agora leio ‘O Sétimo’. Ontem ganhei Travessuras da Menina Má (Mario Llosa), do Pedroka, na próxima semana deve chegar ‘Tudo e Nada’ (Stephen King) e ‘Formaturas Infernais’ (Meg Cabot, Stpephanie Meyer, Kim Harrison, Michele Faffe e Lauren Myracle) que ganhei do manão Wandson.

Aproveitando uma promoção adquiri depois de fazer um agrado na mamãe, a ‘Triologia Millennium’ (Stieg Larsson) e os dos primeiros livros da série ‘Diários do Vampiro’ (L. J. Smith), ou seja, tenho livros para as próximas semanas.

Se sobrar um tempinho nesta quinta-feira vou aproveitar pra escrever uma nova crônica. De antemão adianto que a exposição de foto-varal do Círio será exposta em um novo lugar.

Aguardem ...

Ah ... hoje será divulgado os vencedores do Concurso Melhor Blog Paraense.

07 Dezembro 2009

Conquistas

A vida é um constante aprendizado ... e uma eterna conquista!
Depois de quatro meses de muito esforço, noites mal dormidas, síntese, interpretação, chegou ao fim nesta segunda-feira, 7 de dezembro a luta que vinha travando com o Trabalho Acadêmico Orientado (TAO).
Minha defesa no Iespes começou as 07h30 e foi assistida pelos meus pais, meu irmão, três amigas, um anônimo e pela irmã do meu companheiro de trabalho, o Járlisson Gambôa de que tanto ter sido citado aqui virou figurinha carimbada no blog.
A reta final foi uma prova de resistência, tanto pra mim, quanto para o Gamb. Tivemos que driblar o nervossismo!
Trago para o presente as experiências que tivemos.
Amadurecemos.
Aprendemos a exprimir nossas idéias.
A dialogar.
A ser fortes.
Passamos a acreditar mais em nós mesmos.
Agradeço imensamente a Professora Lila Bemerguy que nós adotou durante esse semestre. A presença, o apoio, o companheirismo dela foi fundamental para que obtivéssemos o resultado que tivemos. Também ao Mauri que nós emprestou a mãe dele e nos recebeu entre seus quebra-cabeças e bonecos.
Aos professores Milton Mauer e Paulo Lima que participaram da banca.
Aos amigos que desejaram 'Boa Sorte' e disseram 'Não desistam'.
Aos companheiros.
Aos colegas de trabalho.
Aos familiares.
Agradeço do fundo do coração aos leitores deste blog que entenderam a minha ausência.
Estou na área!
A todos o 9.6 da Defesa é dedicado a vocês!
Valeu!!!!

02 Dezembro 2009

Fé, Sacríficio e Devoção

O que leva milhares de pessoas a acordarem cedo num domingo de novembro e caminharem incansavelmente 3 quilômetros? Algo tão sublime como a fé impulsiona os romeiros que acompanharam a 91ª edição do Círio de Nossa Senhora da Conceição.

Sacrifício

O que se vê do alto de um muro, de uma janela no segundo do andar de um prédio? Vemos expressões diferenciadas. Dor, cansaço, choro, alegria. Uma dezena agarra a corda firmemente como quem se agarra a um fio de esperança e devoção. A mulher que entra ajoelhada na igreja expressa bem a emoção de quem conseguiu chegar ao final, que teve sua graça atendida.

Devoção

Não importa qual a o jeito, a maneira, a forma de agradecer. Depois de uma longa caminhada, qualquer esforço é recompensado pelo instante de se ajoelhar diante do altar e fazer sua oração silenciosa. Mais do que um momento de reflexão, as fotografias realizadas no interior da Catedral de Nossa Senhora da Conceição remetem a devoção dos fiéis.


Abaixo as fotos que compõem o foto-varal produzido por mim e pelo jornalista Járlisson Gambôa exposto no último dia 30 de novembro no Iespes.

Devoção

Multidão

Sacríficio

 
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