11.10.11

Calcinhas!

Apaixonou-se quando viu a calcinha vermelha estendida no varal. 

–Meu Deus! O que era aquilo??? 

Um misto de pecado e delicadeza. Pequena, de renda, com flores quase invisíveis entre os minúsculos fios que teciam a peça. Ficou ali. Parado. Admirando. Na verdade encantado. Não demorou a pensar nas mil proezas que ela fazia com aquela calcinha. Com certeza a sua dona era a gostosa do 401. Deveria ser dela. Só podia ser dela. Daquele espetáculo de mulher. Morena de parar o quarteirão. Se perdeu. Riu loucamente inebriado pelo êxtase dos seus pensamentos. Voltou a si quando viu a velha do 402 (ele morava no 309, do outro lado do prédio) o observando com um olhar desaprovador e desconfiado. 

- Pobre coitada. Talvez nunca usou uma calcinha dessas. – Pensou.

De finininho foi saindo da janela. Cínico ainda deu um tchauzinho para a senhora no outro cômodo. 

Retornava do trabalho quando se deparou com uma nova peça. Essa branca. Ainda mais delicada e sensual do que a primeira. Tentou passar direto, mas, voltou enfeitiçado pelas fitas e detalhes. Essa vizinha do 401 ainda iria deixá-lo louco. Tinha gamado nela desde que a viu subir as escadas naquela mini saia preta com aquele top branco. A tentação em pessoa. Ela rondou seus sonhos noites adentro. Vez o outra teve que se controlar ao lado da namorada, quando pensava na vizinha que o enchia de tesão. Foi despertado do transe com o barulho de uma porta se abrindo no corredor. 

- Estraga prazer! 

Entrou no seu apartamento.

O ápice da loucura foi numa tarde de sábado. Lá estava ela tremulando ao vento. Fina. Melhor! Finíssima!!! A calcinha de renda preta, não era uma lingerie qualquer eram fios conectados que davam em um objeto de desejo naquela imaginação insana. Sentiu aquela sensação quente ardendo dentro de si. Tinha perdido o bom senso. As estribeiras. O juízo. Avançou para pegá-la. Ele queria tocá-la. cheirá-la. Guardá-la para si. No fundo da gaveta. Debaixo do travesseiro. Do seu lado na cama. Mas definitivamente ele precisava dela! Não viu o tijolo frouxo no parapeito. Os avisos no corredor. Se estendeu ao máximo para alcançá-la no varal que dividia os dois prédios. Esticou. Esticou. Deu um pulinho. Ficou na ponta dos pés. Caiu! Do segundo andar do edifício Seixas. Ficou estendido no meio do pátio às 15h00 da tarde. Foi socorrido pela velhinha do 402 que encontrou estirado no chão com uma das suas calcinhas na mão.

Ela era colecionadora de calcinhas. Ironia hein?

Corbis

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