3.2.11

Amélia

Fácil era saber quando ela estava ali. Seu perfume instigante era peculiar. Diria que sua marca. Tinha um jeito delicado só dela. Eram trejeitos como nunca havia visto antes. Seu corpo era a junção da medida do frágil e da tentação...Foi assim que me apaixonei entre as palavras impressas na folha branca na tela do computador, pela moça que passava em frente a minha janela, Amélia.


Desde início não resisti. Não tentei não sucumbir aos seus gestos. Deixei-me levar ... apesar das minhas idas e vindas da vida, dos meus desamores, das minhas aventuras alucinantes e apaixonadas. Não sentei em nenhum momento a beira do precipício. Pulei como um louco da ponte ao primeiro impulso. Caí de cabeça. Afundei-me. Apeguei-me e virei refém do amor de Amélia.



Com o tempo perdi a lucidez. Desvairadamente vivi cada instante ao seu lado como se fosse o último. Agarrei-a pelos braços. Apertei-a contra meu peito. Queria-a só pra mim. Beirei a obsessão. Mudei meus dias. Meus hábitos. Desfiz dos meus amigos. Da rotina do mundo lá fora. Fui me deixando levar e quando vi não era mais dono de mim. Não me pertencia mais. Agora eu era de Amélia.


Nosso amor tresloucado levou minhas noites. Absorveu cada segundo da minha existência. Fez perder a noção da realidade. Criamos um paraíso só nosso. Não havia o meu e o dela. Não havia argumentos. Não havia contraste. Não havia diferenças. Era perfeito! Reencontrava um eu extraviado outrora, subjugado pelas amarguras e devaneios dos espaços. Passava a fazer sentido com Amélia.



Como tudo que começa sem planejamento, arrebatado pela falta de precisão, da noção e do juízo ela foi embora na ausência das palavras imprensas na folha branca na tela do computador. Não olhou para trás. A vi sumir quando passou em frente a minha janela. Nem deu adeus, a ingrata da Amélia.

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