25.11.10

Amenidades

De repente estamos ali olhando o teto. Lá foram barulhos não sei do que. Entre minutos e outros segundos, beijos, abraços e sorrisos mudos. É tudo tão bom. Ensaio um sono que não vem. Não dá pra vim. Pra dormir tem que ter concentração e tem que se esquecer de tudo um pouco. Contento-me e fico observando as paredes azuis. Dia desses trago um quadro pra cá. Pensei numa foto minha pelo menos ele não se sentirá só quando não estiver aqui. Pensei em outros móveis também. Sugeri uma mesinha de cabeceira, mas ele falou que vai mandar fazer um criado mudo acoplado a cama. Convenhamos que a idéia foi bem mais prática que a minha. Só faltava essa ele entender de decoração. Digo que vou trazer uma rede. Se bem que o cômodo é tão ventilado. Eu adoro o embalar. O pra lá e pra cá. Cabem dois numa rede? Ele é grande. Melhor não arriscar, vai que ... acabam os dois no chão.

Ao longe uma grade se abre. Deve ser o pessoal da casa ao lado. Os vizinhos que já foram meus vizinhos. Acho que agora são de novo, afinal ele diz que o cantinho agora também é meu. No sábado vou colocar algumas plantas na varanda. Acho que esse prazer por plantas veio da mamãe. Dá um novo ar ao ambiente e ainda fica bonitinho. Sugeri colocar um pisca-pisca na grade. Ele deu uma gargalhada. Entendi que aquilo foi um não. Engraçado o negar sorrindo. Tudo bem, eu concordo.
Corbis
Antes de sair vou fazer uma nova lista de compras. As primeiras do início da semana já não estão no armário. Na pia do banheiro a minha escova ainda está na embalagem. Segundo ele nunca se sabe quando posso precisar e por via das dúvidas ela está ali. Gosto dessa preocupação. Do querer bem. A recompensa dele vem nos gestos. Um relacionamento se faz de quatro coisas: amor, carinho, sexo e apoio. Entendi tudo isso agora. Ouvi a máxima de um amigo que perdeu a mulher num acidente e ela fez todo sentido.

Volto para o lado direito do lençol estampado, aquele que escolhi quando fomos comprar o colchão. Parecíamos duas crianças, pulando na cama fofinha pra ver se realmente era boa. Isso me lembra dele dizendo que o pé de plástico não ia agüentar o seu peso. No fim eu acertei. Continua lá enroscado e intacto. A tarde vai indo. Daqui a pouco desço a escada e volto para a rotina. Fico um pouco mais. Aninho-me nos seus braços, antes de dizer que está na hora de ir. Ficamos ali parados um pouco mais.

É a vida segue lá fora.

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