27.9.10

XY

Paulo César (br.olhares.com)
Não gostavam da mesma banda, do mesmo autor, do mesmo tipo de comida. Diria que eram divergentes, mas depois de algum tempo algo mudou. Primeiro foram os beijos encontrados (ou desencontrados). Seguiram-se as mãos. Os abraços um pouco mais afetuosos. Sorrisos sem graça, que no fundo nenhum dos dois conseguia explicar porque terminavam assim ... de bochechas vermelhas e olhares miúdos.


Vieram as conversas. Sobre coisas que tinham feito, que pretendiam fazer, sobre aquele presente. Falaram sobre relacionamentos, dos bons e ruins.


Discutiram sobre o que sentiam falta. Do quanto era bom o carinho na nuca, o afago nos cabelos, o beijo na barriga, o roçar de pernas, as mãos deslizando as costas nuas, intimidades. Ela foi a primeira a não entender tudo aquilo. No fundo talvez ele compreendesse mais que ela. Seria tudo uma questão de estratégia? De passos marcados? Não, não era.


Não sabia explicar aquela estranha atração. Como ele podia furtivamente entrar em seus pensamentos e tomar conta da sua cabeça. Achou que estava louca. Era tudo estranho demais... Nada convencional. Fora dos parâmetros. No fundo estava perdendo o controle da situação e a cada dia mais se deixava levar em meio aos devaneios daquele sentimento inesperado e desenfreado que ela não conseguia parar.


Acabaram se rendendo. Entregaram-se mesmo sabendo que um não pertencia ao outro. Casualidade. Quem poderá explicar os desígnios da alma e da carne? Quem poderá aplacar o cordeiro e o lobo que mora no interior de cada um? Apenas se deixaram levar pelas circunstâncias, afinal amanhã é um outro dia...

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