27.9.10

DesAbafo

Desabou justamente quando estavam ali, os dois corpos nus expostos naquela cama, depois de um sexo mais ou menos. Um choro mudo, tão silencioso e inesperado como as lágrimas que brotaram. Sabia que homem não chorava, mas não seria menos homem depois daquele momento.


Algum tempo já não andavam bem. Ela de nada lembrava aquela mulher delicada e sorridente que conhecerá meses atrás. Havia se transformado em um ser rude e em algumas horas diria que até sem coração. Inflexível. Fria e dura como as pedras do calçamento do lado de fora daquele quarto.


Era ele que ouvia os desabafos. Era ele que aplacava a fúria. Era ele que a abraçava (mesmo quando ela às vezes fugia das suas mãos). Era ele que suportava aquilo tudo. Era ele...

Paulo César (br.olhares.com)
Desconcertada. Simplesmente a viu sem gestos em meio aquela situação embaraçosa. Algo a trouxe de volta a realidade. Trouxe no infortúnio a sua mulher. Aquela.


Ela não procurou um fosso. Uma toca escura para se esconder no momento em que se via completamente despida de roupa e na alma. Aninhou-se no peito dele e ali ficou. Quieta, até se impacientar e começar a percorrer com seus delicados dedos o corpo oposto. Brincou naquela relva de pêlos, antebraços, braços, pernas, coxas, outras partes. Roubou um beijo suave e terno. Travessa fez peripécias delicadas e atraentes. Riram quando ela insistiu em lhe acariciar a barriga. Roçar os suaves lábios na sua nuca. Quando algo gelado e úmido lhe tocou a orelha. Rolaram pela cama entre risadas cansadas.


Aos poucos eram de novo um casal.


O amor renasce ao amanhecer ...

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