20.8.10

O desejo de criança que dói

Quando era pequena (se bem que não cresci muito), melhor quando eu era criança, achava um máximo aqueles guris e gurias com o braço ou perna engessada. Na minha inocência ignorava o real motivo por trás daquela atadura, do membro isolado, ou seja, da fratura ou lesão. Considerava só o quanto era divertido deixar pichar nomes, frases e desenhos naquela parte imóvel do corpo. Pois bem, o tempo passou e eis que numa dessas voltas do destino cá estou eu com o braço imobilizado.


Creio que tenha mencionado nos últimos dias que iniciei as aulas práticas de carro e moto na auto-escola. Decidi começar pelo bicho veloz de duas rodas. Minha primeira aula foi na terça-feira em uma área aberta e sem fluxo de veículos da cidade. O instrutor me apresentou a motocicleta (Dannie moto. Moto Dannie) e me mostrou o quê era o quê. Apesar de a mamãe ter moto (uma Bizz) e de meu irmão ter tido pelo menos uma duas, nunca me atrevi a pilotar. Aliás, somente uma vez a mother me deu uma aula prática de cinco minutos (aqui é o freio, aqui é o acelerador. Pronto!) adivinha o que aconteceu? A Bizz saiu desembestada e só parei de gritar pedindo pra parar quando a motocicleta virou num tufo de capim (santo capim!) no meio da rua. Parei por aí.


Então ... voltando a aula prática ... Dadas as primeiras instruções começou a parte do controle da moto. Tremia mas que vara verde. Apesar da insegurança o início não foi dos piores, pelo menos o essencial eu aprendi a como parar a moto sem cair. Eis que ontem na segunda a aula o progresso foi imenso. Saia, andava e parava tudo certinho. Sem gracinhas e dirigindo razoavelmente bem eu e meu professor estávamos até felizes e já íamos treinar na pista de percurso do Detran (oito, balisa, rampa) isso tudo tamanha segurança que eu estava na moto, mas o inevitável aconteceu. Faltando meia hora para o final da aula eu caí no meio do campo. Não sei explicar ao certo o que aconteceu. Suponho que acelerei e segurei na embreagem, o que fez a moto estancar e eu perder o equilíbrio. Tudo bem que cair é algo absolutamente normal para quem está aprendendo, porém nenhum dos fatores ali deixava crer que isso talvez pudesse acontecer naquele momento, quando estava indo tão bem.


A motocicleta tombou para o lado esquerdo. Na queda acabei segurando o peso do meu corpo e da moto no cotovelo (isso foi péssimo). Foi tão rápido que não tive o instinto de pular antes e olha que o instrutor havia me orientado sobre isso na primeira aula (Se for sentir que vai cair, não tente segurar a moto, pule antes e deixe ela cair sozinha). Meu pé ficou embaixo da motocicleta. Carambas! Na hora deu vontade de chorar ali no chão, mas tava tão inconformada com a queda e com a dor em toda a extensão do braço que isso foi o de menos. O professor ficou tão aperreado que não sei como não caiu nos poucos metros que distanciavam nós dois. Depois de uma breve análise (tá doendo! tá doendo! tá doendo! não dá pra esticar, mas não quebrou) fomos para o hospital lá da Tapajós.


Faço um breve desabafo: parece uma sina! toda vez que passo na emergência da unidade que tenho plano de saúde é a médica que eu adoro (pra não dizer palavras feias sobre ela e seu ótimo atendimento) é quem está de plantão. Para a minha sorte o auxiliar de enfermagem que consegue estourar o mínimo de veias em mim (são finas demais e difíceis de achar) é quem estava trabalhando. Acho que isso diminuiu a tensão na hora que vi os 10 ml amarelo na seringa. Raio X em mão e lá fui eu pra um ortopedista na 7 de Setembro. Apesar da queda, não quebrei nada (Graças a Deus nosso senhor!), mas por via das dúvidas o adorável médico (esse sim um amor de pessoa, dedicado e profissional) me receitou dos medicamentos e ... IMOBILIZAR O BRAÇO! Entendeu agora o parágrafo inicial do post?


Lá foi a Danniezinha pra outra sala colocar o gesso no bracinho. Antes de ser atendida, o enfermeiro perguntou se não poderia atender logo um garotinho de 10 anos que machucou o antebraço jogando bola. Como o caso dele era bem mais simples que o meu não me importei dele ir primeiro. Pense num guri que tava feliz da vida. A cada nova volta que o enfermeiro dava na atadura para prender o gesso esse menino sorria. E adivinha o motivo de tanta felicidade? Ia mostrar pros amiguinhos. A mãe do lado toda preocupada.Menos de dez minutos foi a minha vez.Não dei a mesma sorte do menino. A atadura e o gesso pegou o antebraço, o cotovelo e ficou somente um palmo do ombro esquerdo. Aos que nunca passaram por essa situação saibam que: o gesso pesa, coça e esquenta. Apesar de tudo isso, estou bem. Só fui imobilizada por questão de segurança, se o braço estivesse solto e como ainda está bastante machucado eu ia ter muita dor ao movimentar. Se as dores diminuírem e correr tudo bem, na segunda-feira estarei livre, leve e solta.


Foi mais um susto. Mesmo sendo uma situação delicada, estou levando tudo na esportiva e com bom humor. As pessoas que estão próximas estão mais preocupadas do que eu. Prometo que vou ficar quietinha no final de semana e parar de aprontar. Agradeço ao instrutor e ao pessoal da auto-escola que foram bem solícitos e atentos.


“Cesário meu anjo, fique tranqüilo. Lembra que você falou que cair faz parte? Não esquenta não que terça-feira eu estou de volta. Prepara a paciência.”


O enfermeiro além de cuidar de mim, ainda teve que registrar o momento. Valeu Ivan!


A única coisa chata nisso tudo é que por causa da queda e da circunstância só vou tirar a habilitação para dirigir moto, mas o Ya, a mamãe e o papai me proibiram de comprar uma. O primeiro ameaçou criar uma rebelião e me chamar pra uma conversa baixinha se decidir sair por aí de moto. Aí, aí, aí. E a segunda quase teve um infarto quando chegou em casa e me viu de braço enfaixado (difícil foi convencê-la de que não era nada grave).


Fico por aqui, porque digitar com uma mão só é bem ruinzinho.


=D

3 comentários:

  1. Olá Dannie,

    Melhoras para você.
    Eu andava de moto, mesmo sem ter habiltação. Várias amigas minhas sofreram acidentes, então parei de andar. É muito perigoso.
    Gostei da forma do relato.]

    Um beijão.

    ResponderExcluir
  2. Anônimo22.8.10

    Princesas andam de carruagem...

    Adilson Araújo

    ResponderExcluir
  3. Só tu mesmo! Já vi em outro post que tirastes o gesso.
    Tô feliz em saber que tu vai fazer o cursilho =)
    Amanhã estarei lá na praça pra ver vocês subirem.
    Beijos

    ResponderExcluir

Poucas palavras ...