11.5.10

Mulheres que calam

Baixou a cabeça e recolheu-se a sua insignificância. Era assim todas as noites sempre que ele chegava da rua. Mesmo depois da gritaria ainda sorria. Preparava o jantar e ia dormir ao lado dele na cama como se nada tivesse acontecido. Os dias eram iguais. Os comportamentos eram ainda piores. Diante daquilo tudo estaria feliz?

...

Mas uma vez a comida seria as vísceras que ele conseguiu no açougue. Não se dava ao trabalho de perguntar se ela estava contente com aquilo tudo, se os meninos queriam realmente comer aquilo. Não era precisão era preguiça, um ciúme doentio que o retinha em casa, doença da alma. Ela apenas aceitava. Baixava a cabeça e sorria sem graça. Seria aquele seu destino? Como realmente se sentia ao ver o olhar dos filhos fitando-a como se o interrogatório transpassasse a matéria e invadisse a alma?
Certas coisas não me descem garganta abaixo nem com água, nem com suco. Num mundo em que muitas mulheres se sacrificaram no passado para terem seus direitos reconhecidos chega a ser uma afronta que congêneres se submetam a situações humilhantes perante namorados e maridos. E a capacidade de reação onde fica?

Não existem mulheres fracas, existem mulheres que não conhecem sua força.

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