13.5.10

Fugir ...


Pegou duas camisas, um short, o sapato favorito, uma maçã, o caderno de desenho, um lápis e um boné. Jogou tudo dentro da mochila roxa. Antes de sair de casa pegou também o ursinho de pelúcia que estava sobre o sofá. Ele serviria muito bem como travesseiro.
Olhou para trás. Suspirou. Não conseguiu dar, mas nenhum passo. Parada em frente a porta ela estava no meio do caminho.Fitou-o.Sorriu da cena. Abraçou-o. Ele desviou dos braços dela. Bradou que era homem. Que era hora de ir embora. Que já era grande. Que ela tinha brigado com ele.
Ela sorriu novamente. Passou as mãos pelos cabelos castanhos dele e deu um beijinho na sua testa. Ele continuou se mostrando irredutível, brabo. Forçou uma saída. Ela permaneceu parada na sua frente atrapalhando-o. Viu a raiva, mas também o medo naquele rostinho.
O olhar fixo dela o fez chorar. Chorou, chorou, abraçado a ela, que o prendeu mais entre seus braços. No fim disse que a amava muito. Ela retribui com aquele olhar de ternura e carinho que só as mães sabem fazer.
Tão pequeno e tão valente.

...
Quando era pequena a qualquer desentendimento lá em casa dizia que ia fugir. Muitas vezes deixei minha mãe temerosa de que fizesse isso mesmo. Quase sempre ela questionava para onde iria, no que eu respondia que para uma praça. Afirmava que ia dormir debaixo de uma árvore, em qualquer lugar que não fosse ali. Ás vezes mamãe chorava.Filhos...
Um di vi a praça. As pessoas que ficavam ali. Como as bonitas árvores que enfeitavam a paisagem durante o dia, costumavam ficar bem temerosas durante a noite. Nunca mais quis fugir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poucas palavras ...