23.10.09

Caricia

- Amor não! Hoje não.


Silêncio.


Dois minutos depois.


- Não amor. Eu não estou afim. Estou cansada...


Ele pára.


Ela abraça o travesseiro. Tenta se acomodar para voltar a dormir. Tinha tido um dia daqueles! Exaustivo. Cheio. Só queria descansar. Relaxar a estrutura dolorida que era seu corpo.


Ele insiste.


Ela ignora.


Mas acaba por exprimir uma reação meio minuto depois. Até que o carinho no pé era gostoso.


- Você não tem jeito mesmo! – Diz.


Ela vira para contemplá-lo. Ele ... olhos fechados, postura de quem está no melhor do sono. Encara-o.


- Não sabe nem mentir. Eu estou vendo você piscando. Quer me enganar é?


Ele continua na mesma posição. Quieto. Sereno. Tranquilo.


- Amorrrrrrrr. – Ela insiste.


Ele abre os olhos surpreso. Observa. Não entende nada. O que estava acontecendo?


- Você está bem? – Questiona.


- Por quê?


Ele olha o relógio na mesinha da cabeceira. 02h45.


- Já viu a hora? – Pergunta um tanto aborrecido.


- Você que começou.


- Eu que comecei o quê?


- Você que me acordou. Eu pedi pra você parar, mas você continuou.


Silêncio. Eles se encaram.



- Agora quem não está entendo nada sou eu.


- Vamos voltar a dormir. Eu estou com sono. – Ele pede.


- Assim?


- Assim como?


- Você me acorda. Provoca-me. Me deixa querendo e depois diz que não?


- Querida ... acho que você está trabalhando demais.


- Realmente estou e você não está me ajudando agindo dessa maneira.


- Vamos! Encosta a cabeça no travesseiro e volta a dormir. Tá bom.


- E os finalmente?


- Finalmente?


- Sim. – Afirma ela com um sorriso malicioso descendo a mão pelo peito dele.


- Ãh? Agora?


- Não depois de amanhã. Não se faz de desentendido... O que você estava roçando no meu pé? Algum brinquedinho novo? Diz aí vai...


- Brinquedinho? Você sabe que não sou dessas coisas.


- Vai! Fala o que é? – Insiste.


- Amor ... sinceramente eu não estou entendendo.


- Não sei, pareceu algo gelado, com gel. Fala vai...o que é. - Pede entusiasmada.


- Não fiz nada. Eu juro.


- Então tá.


Ela volta para seu lado da cama. Abraça o travesseiro. Algo se esfrega nos seus pés debaixo do cobertor.


- Pára! – Grita ela se voltando para ele. Não tem graça. Não quer não insiste.


- Não fui eu!


- Não tem graça. Que saco!


- Amor...


- Já chega! tá bom?


Ele se virá para um lado e ele para outro. Algo se move rapidamente por baixo do lençol e avança em direção aos dois.


- Ruffus!
!!


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