16.9.09

Coisas de casal

Do banheiro, ele grita contrariado.


- Não! Não acredito!



Ela no quarto, enrolada em uma toalha, recém saída do banho dá início ao seu ritual de beleza, hidratantes, cremes para o cabelo, protetor solar, óleo, batom.


- Que foi? – Pergunta tranqüila entre um creme e outro.


- De novo não! - Reclama.


Ouve-se o barulho da porta do banheiro sendo fechada com força. Lá dentro ele sussurra algo. Melhor conversa sozinho.




- Eu só posso ter tacado pedra na cruz! É a única justificativa para estar passando por isso. Só pode! O que foi que eu fiz, Meu Deus!!! Essa mulher vive pra me tirar do sério. Olha Deus, um dia ela ainda me mata do coração, de tanta raiva que me faz passar!



Silêncio.


- Ei! O que está acontecendo?


Ele abre a porta do banheiro com estrondo. Surge no corredor só de cueca. Lindo e com raiva.


- Todo dia é isso? Questiona.


Ela aparece na porta do quarto, de saia e sutiã.


- Do que você está falando? - Diz ajustando a alça da lingerie.


- Eu já estou ficando de saco cheio. Todo dia é a mesma coisa. Todo dia, todo dia. E não adianta falar. Parece que você não aprende!


Ela se assusta com a intempestividade dele.


- Você está bem?


- Não, não estou.


- E o que é então?


Ele a segura pelo braço e a arrasta pelo corredor.


- Ai! Tá me machucando. – Diz tentando se desvencilhar da mão dele.


Ele a empurra para dentro do banheiro.


- Pronto.


Ela tropeça no tapete e por pouco não vai de encontro à parede. Se recompõe. Arruma a saia, passa as mãos nos cabelos. Ensaia um sorriso pra ele, que continua sério e inflexível parado na porta.


- Sim ... o que tem o banheiro?


- Olha ao redor! – Manda ele.


Ela corre os olhos pelo espaço e não encontra nada.


- Tá. Prometo que quando terminar de tomar banho eu vou recolher os cabelos que caíram no ralo.


- Não é isso.


Ela assume uma postura pensativa. Cinco minutos depois ...


- Não vou deixar cabelo no sabonete. Mas Amor, não tenho culpa. Não tem como segurar os fios que se desprendem da minha linda cabeleira.


- Não é isso.


Silêncio novamente.


Ela tenta adivinhar o que o chateia.


Desiste.


- E o que é então? Fala logo!


- Maria Heloísa Pinheiro custa não apertar o tubo do creme dental no meio! Sua assassina de tubo de pasta!

3 comentários:

  1. Fernanda3.10.09

    ''assassina de tubo de pasta!'' kkkkkkkkk gosteiiiii.

    ResponderExcluir
  2. Nossa muito bom, a vida entre dois e assim, rsrsrs

    ResponderExcluir

Poucas palavras ...