23.7.09

She

Ficou parada em frente à porta de casa. Confusa. Meio segundo, muitas idéias, várias desculpas, diversas suposições. Quatro horas antes não se sentiu assim. Nenhum um pouquinho.

...

Encontraram-se na máquina de cafezinho do escritório. Por diversas vezes havia trocado olhares e sorrisos no corredor. Ela o achava atraente. Ele a fascinava. Depois de um
tempo os pensamentos insanos encontraram espaço na sua mente. Vieram as fantasias. Queria estar com ele em outro lugar. Queria abraçá-lo e beijá-lo, mesmo sem conhecer ao certo seu objeto de admiração. Nunca tinha se sentido assim.

Com o tempo ... passou a ser correspondida.

Combinaram de se encontrar em um bar. Dois quarteirões do local de trabalho. Teve receio no início. Teve medo que alguém os visse. A vontade de viver aquela nova experiência acabou sendo maior.

Encontrou-o sentado numa mesa de canto. Ao fundo tocava ‘Amada Amante’. Quantos lugares que ela conhecia que tocavam Roberto (Carlos)? Raros! Ela adorava o Rei. Sentiu as borboletas no estômago ao ouvir uma das suas músicas favoritas. Deu um passo atrás. Ia embora. Pensou no marido. Ele deveria está em casa. Era tarde. Ele agora estava a sua frente. Não havia como fugir (ou havia?).Pegou-a pela mão e a conduziu até seu lugar.

Pediram uma cerveja. Duas. Três. Ela não costumava beber. Aquela noite foi exceção. Num deslize ele a beijou. Ela se rendeu. Os beijos ficaram mais prolongados (e mais quentes também). Foram para outro lugar. Para a casa dele. Logo estavam se acariciando no sofá da sala. Ela relutou. Cedeu. Amaram-se ali mesmo. Deitados no carpete.

Adormeceu. Acordou duas horas depois. Telefone. O dela. O marido ligando. Quinze minutos para as 23h00. Organizou os cabelos embaralhados, a saia, a camisa branca de botão, mas não conseguiu esconder o sorriso.

Ensaiou um ar cansado no portão. Inventou uma desculpa esfarrapada no primeiro degrau da escada. Parou em frente a porta. Ficou meio minuto ali. Entrou. Convenceu-se de que ia funcionar no corredor. Disse um ‘É agora!’, baixinho ao entrar no quarto. Deixou os sapatos no canto do quarto. A bolsa sobre uma mesa. Passou direto para o banheiro. Ele dormia sobre a meia luz do abajur. Teve medo que algum resquício do que acabará de fazer estivesse no corpo. Lembrou que sexo não tem cheiro, só gosto. Tomou um banho. Vestiu a camisola de sempre. Deitou-se. Fechou os olhos. Percebeu que ele a observava. Ele tinha descoberto tudo!

- Eu te Amo.

- Eu também.

Dormiu.


2 comentários:

  1. Atire a primeira pedra quem não se identificou com esse texto....risos...
    Dannie, muito bom esse e o texto anterior. Continue assim. Bah, guria, barbaridade seu poder criativo !!

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  2. GAMBÔA28.7.09

    VOCÊ É MA-RA-VI-LHO-SA!!!
    SOU TEU FÃ. VOCÊ ARREBENTA!!!

    JÁRLISSON GAMBOA

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