22.7.09

Na Academia ...

E de repente ela estava sozinha de novo. ‘Antes só, do que mal acompanhada’ pensou. Homens eram complicados demais, não as mulheres como eles diziam. Davam trabalho. Os ciumentos eram os piores. Aqueles que controlavam a hora, o destino, a roupa. E ela tinha sorte para atrair esse tipo. Estava decidida: ia reatar seu relacionamento com a ‘liberdade’, mas ... conheceu ele.

Foi na academia. Se os machos não resistem ao conjunto pernas e bumbum em uma mulher, ela também não resistia isso no sexo oposto. Deu aquela olhada discreta, e exclamou a uma autoridade divina (Ai, Meu Deus!). Viu a serpente do paraíso em um aparelho de ginástica próximo (a tentação). Não era a maçã da árvore proibida, mas pareceu apetitoso...

Ele ergueu um peso. Ela firmou o olhar nos seus músculos. Ele percebeu. Ela baixou a cabeça envergonhada, se bem que era mais charme. Fazia parte do seu jogo de sedução parecer tímida. Funcionava. Pelo menos sempre funcionou. Ela deixou cair a garrafinha d’agua, que rolou para o lado da esteira. Ele pegou o objeto. Aproximou-se. Entregou pra ela. Sorriu. Ela tirou uma mecha do rosto. Estava muito suada. Ele continuou a observado. Seria ele mudo? Ela decidiu fazer o teste. Agradeceu. Ele era mais lindo assim de perto. Quis agarrá-lo quando viu aquela fileira de dentes brancos. Voltou a invocar a autoridade divina.

- Você é nova aqui?

- Não, mas acho que malhamos em horários diferentes.

- É verdade.

Olhou para a mão esquerda. Não era casado. Ficaram calados.

- Você é atleta?

Tudo bem. Foi uma pergunta estúpida, mas foi a primeira coisa que lhe veio a cabeça naquela hora. Ela tinha que arriscar.

- Não. Sou administrador. Vou entender isso como um elogio.

Ela sorriu sem graça.

- Você tem jeito de que trabalha na área de comunicação.

- Hum.

- Jornalista! Acertei?

- Sim. Tenho jeito?

- Está na cara.

- Vou me camuflar melhor da próxima vez.

- Não é pra tanto. É até um charme em você.

- Obrigada.

Nova exclamação a autoridade divina.

- Você é casado? - Disparou certeira.

Ele sorriu.

- Não, não. Por quê?

- Não vi aliança. Se bem que hoje muitos homens casados não andam de aliança. Não dá pra dizer se é ou não.

- Vocês mulheres também andam muito liberais. Modernas.

- Certo.

Pausa.

- Tenho namorada.

Balde de água fria. Era bom demais para ser verdade, um homem maravilhoso daquele dando bobeira na academia. Que falta de sorte.

- Hum.

- Ela está aqui.

Ela respondeu mentalmente ‘Não quero ver’. Imaginou uma daquelas mulheres gostosas, saradas, daquelas de arrasar quarteirão.

Uma mulher se aproximou caminhando na direção dos dois. Ela sorriu. Preparava para cumprimentá-la. Não sabia que ela estava ali. Ficou feliz ao vê-la. Muito feliz. Antes que dissesse algo foi interrompida.

- Essa é minha namorada!

- Mãe!?

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