8.4.09

Conspiração matutina


E de repente o encanto acabou.

Realmente ele não era o homem da sua vida.

Lavar panelas, fazer comida, varrer a casa , quando que ela se imaginou naquela situação?

Deitada na cama ela olhava para o teto. Para a mancha causada pela goteira,para a rachadura no canto do quarto.

Olhou o anel na mão direita.

‘ Compromisso’ tinha dito ele quando a presenteou.

Nunca a assumiu por completo. Fazer o quê?

Estava mais para uma algema de um lado. Na definição das amigas; um espanta pretendente.

‘ Uma aliança de amor eterno’, se bem que para ela no fundo era uma grande bobagem. Tanto fazia se era uma aliança, um chapéu, um cordão, ia dar na mesma coisa.

Encolheu-se debaixo dos lençóis.

Os lençóis que ela tinha comprado, junto com a cama e o armário em liquidação.

Passou as mãos pelo rosto e pelos cabelos. Hoje eles dariam trabalho para pentear.

Pegou o relógio na cabeceira da cama. Eram 07h15.

‘-Ele deve estar no trabalho’. Pensou.

Veio a dúvida.

‘ Será que realmente ele estava lá? E se a história da amante fosse verdadeira?’

Não era problema seu ou era?

Tinha sido clara que os direitos eram iguais, até mesmo numa situação como aquela.

Ela era bonita. Não seria difícil.

Imaginou os alvos. Era assim que definia o sexo oposto.

O professor de espanhol, o cara da pracinha, o irmão daquela sua amiga,o primo da capital.

Teria opções. Talvez mais que ele.

Concluiu que só ela mesmo para aturar aquela risada. Que ninguém teria paciência para vê-lo roncar depois de chegar cansado da bola ou ainda de recolher suas cuecas abandonadas no caminho do banheiro.

‘ Eu vou me dar bem’.

Voltou a realidade quando viu a silhueta a sua frente.

Parado ele contemplava a viagem da sua companheira perdida em pensamentos.

‘ – Bom dia Amor. Trouxe seu café da manhã’.

Só então ela percebeu que era domingo e ao contrário de tudo o que tinha divagado ele era o homem da sua vida.

Um comentário:

  1. Comprar objetos em liquidação é demais...O mais engraçado é que isso se torna até muito divertido no início de um casamento. Senta-se no chão, come-se em pratos de plásticos, toma-se café em copo de molho de tomate, compra-se um guarda-roupa (daquele tipo que se tirar do lugar uma vez, se desmancha todo em pó), em 10x (eu fiz isso), come-se ovo frito, miojo, macarronada rápida etc. Cada coisa bizarra, pobre-pobre-de-marré-deci, que nem acreditamos que passamos... Nada nos demove do desejo de sermos felizes. Cada dificuldade parecer ser um estímulo a mais e até um troféu. No entato, decorridos alguns anos, percebemos que sentarmos naquelas cadeiras recicladas e passadas por vários donos, já nos causam um grande desalento e um certo desgaste. Isso se aplica à familia tmb. No início, quando não aceitam o parceiro ou parceira nos parece ser implicãncia, ciúmes, exigência despropositada. Com o passar do tempo, já nos fazem refletir e pensar se não são, de fato, verdadeiras. É o Senhor "Tempo". Quem ousa desafiá-lo? O mais sensato é dançarmos conforme a música.

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