6.4.15

Papai não vem...



Num fim de semana de páscoa vi um garotinho esperar ansioso por um passeio de domingo. Ele tomou banho sem briga, comeu o lanche ser espernear e esperou. Arrumou a mochila, separou o carrinho preferido e correu pela casa na expectativa de encontrar alguém que não veio. Cansou. Dormiu e muito embora a mãe tenha torcido mentalmente para que ele esquecesse o teor do telefonema daquela manhã, daquele ‘eu vou te buscar’ ele retomou a espera de onde parou.

Tem coisas que você não encontra solução imediata. Tem coisas que você prefere que não chegue a certo ponto, mas elas avançam. Tente explicar para uma criança que seu pai não vem e te digo a probabilidade dela levar isso numa boa é quase improvável. E contrariando filosofias, para não destruir aquele encanto ela mentiu, e sabe lá Deus de onde a mãe inventou uma doença. Era isso ‘ele estava doente’ e bastava. Eu não preciso nem dizer que o guri acreditou.

Até quando se pode mentir para quem se ama? Omitir a verdade nunca é um caminho, mas não se pode usar mão desse artifício para não machucar e nem destruir sonhos infantis?

Dentre as piores coisas que uma criança pode não ter no mundo é atenção. E dói muito ver um pequeno exigindo algo que deveria ser dado espontaneamente. Filhos não são brinquedos que você deixa-os de lado e os procura quando dá vontade. Filhos são uma parte dos pais, em que eles têm a oportunidade de construir uma nova história.

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