26.6.09

Dom Juan abatido

A primeira vez que se encontraram foi numa festa de um amigo. Ela chamou a atenção dele de cara, assim que entrou naquele encontro cafona. Ele observava o ambiente. Dava uma geral atrás de carne nova. Era o matador. O cara.

Ela chegou acompanhada de uma mulher gostosa, daquelas de arrasar quarteirão, mas não foi a gostosa que ele viu, foi a moça que estava ao lado.

A criatura lhe prendeu o olhar. Sentiu-se hipnotizado. A Letícia Sabatella perto dela era um patinho feio. Ele achou a jovem linda. Se ele tinha chegado a essa conclusão pode acreditar que ela era realmente bonita.

A calça jeans desbotada, a camiseta surrada e o all star faziam dela uma figura ímpar. Ficou desconcertado quando ela sorriu pra ele. Meu Deus! O que estava acontecendo? Ele nunca ficava tímido. Logo ele, o terror das menininhas, o cara-de-pau. Dificilmente levava um não. Era tão manhoso que todas as mulheres sempre lhe diziam sim, quer fosse sua proposta. Todas! Sem exceção, mas aquela ali na sua frente era diferente. Ele sabia. Teve certeza quando ela entrou na sala.

Tentou disfarçar que ela mexeu com suas estruturas. Pensou em não se aproximar. Ainda puxou um papo com o cara sentado ao seu lado no sofá, mas as palavras saíram vagas. Estava estranho. Não era ele. Seria a criatura sua criptonita? Enquanto os mais dispersos pensamentos passavam por sua cabeça, se distraiu e não viu ela se aproximando.

Voltou pra terra quando a viu bem ao seu lado, cumprimentando seu interlocutor. Ficou desconcertado. Ela sorriu. Ela era uma pessoa sorridente, simpaticíssima. Gostava de abraçar os amigos e beijá-los também. Ao vê-la tão perto apurou os sentidos e sentiu seu perfume. Teve vontade de agarrá-la e beijá-la, mas suas pernas tremeram.

Enquanto a contemplava ela partiu. Ele se mexeu no sofá. Passou a mão por entre o rosto. Cruzou as pernas. Descruzou. Olhou o relógio. Eram 23h15. Deu um tchauzinho para uma amiga que estava a menos de dois metros. Ficou com o braço estendido mesmo depois do aceno. Pensou numa estratégia. Montou um plano rápido, não era perfeito. Preferiu arriscar. Primeiro uma boa cantada, em seguida o ataque. Ensaiou um pequeno discurso. Isso nunca aconteceu antes. Desistiu. Disse para si mesmo ‘Você é forte. Você consegue. Você é o cara”, mas o incentivo não funcionou. Continuou ali, parado no mesmo lugar. Ela tinha dado um curto-circuito no seu sistema. Derrubado suas muralhas.

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