30 Novembro 2009

Foto- Varal


Não tem texto, mas tem foto-varal. Sei que algumas pessoas já me cobraram novos posts, mas esses dias o tico e o teco estão um tanto cansados.
O que vai nesta segunda-feira é um convite.
Se tiver em Santarém e tiver um tempinho, participe do I Sarau Universitário que acontece hoje a noite no Instituto Esperança de Ensino Superior.
Eu e meu fiel amigo J. Gâmboa estaremos expondo as fotografias tiradas durante o Círio deste ano.
São 20 imagens que retratam bem a romaria.
Passa lá.
Se não for possível, fique tranquilo.
As fotos da exposição serão publicadas aqui no blog nos próximos dias.

27 Novembro 2009

Anjos e Anjos




26 Novembro 2009

Expressões


Um anjinho descontraído ...


Preocupado ...


O que será que ele viu?

Dúvida (Parte I)



- Mãe de onde eu vim?

A pergunta surgiu assim que ele entrou em casa. A mãe ficou desconcertada. Engasgou com um pedaço da maçã que estava comendo.

- Oi filhote você chegou meu lindo! Como foi na escola? Brincou muito?

O menino se aproximou e deu um abraço na mãe.

- Oi mãezinha, estava com saudade de você. – Disse dando um beijo no rosto da mulher, que se abaixou para poder ficar na altura do garoto e beijá-lo também.

- Também senti saudade de você meu anjo.

Ela tirou a mochila da costa criança e a pousou sobre o balcão da cozinha. Na verdade estava tentando fazer com que o menino esquece-se da pergunta que tinha feito há pouco. Tudo bem que sabia que um dia ele ia querer saber como tinha vindo ao mundo, mas tinha que ser justamente naquela quarta-feira?

- Quer maçã Mateus?

- Não.

- O que você quer fazer agora? Quer que eu brinque com você? Mamãe ainda tem um tempinho antes de voltar para o trabalho.

- Não quero não mãezinha.

- Então vamos tomar banho! Você tá todo sujinho. Parece um porquinho. Já para o banheiro. Um, dois, três, corre!- Pediu a mulher sorrindo.

Ao que tudo indicava, ela tinha conseguido dobrar o menino.

Entraram no Box. Por mais sapeco que fosse Mateus sabia que ali precisava ser comportado. A mãe ficava uma fera quando ele insistia em dançar e pular debaixo do chuveiro molhando-a toda.

- Mãeeee.

- Oi filhinho. – Respondeu tranqüila.

- De onde eu vim?

Não tinha jeito. Ela teria que responder a pergunta insistente do filho de 6 anos. Tinha que pensar numa maneira de explicar o processo de reprodução humana. Queria que o marido estivesse ali. Que fosse ele a esclarecer para o menino toda aquela teoria.

- De onde você veio?

- É...

- Hum...

Ela continuou ensaboando o garoto.

- Hein mãe! – Insistiu.

- Porque você quer saber?

Não era a pergunta mais correta. Francamente ele só tinha 6 anos! Corrigiu-se. Às vezes esquecia que ele ainda era pequeno demais.

- O Felipe disse que nós viemos de dentro da barriga da mãe. Mas mãe sua barriga é tão pequena, não é que nem a da tia Vera que é grandona, então como é que eu cabia aí dentro?

A mulher caiu na risada.

- Que foi? – questionou Mateus meio sem jeito.

- Desculpa filho.

Ela tinha percebido que a história da cegonha não ia colar. Saíram do banheiro. Sentou o menino enrolado na toalha no sofá. Aproximou-se do armário. Sabia que o marido deixava uma revista escondida num vão por ali. Encontrou-a. Puxou. Era uma das últimas playboy.

-Safado! Continua comprando. – Retrucou baixinho.

- Que foi que você disse mamãe?

- Nada filhinho.

Folheou. Parou numa página em que a mulher estava numa daquelas posições que quase dava pra ver o útero.Estendeu para o filho.

- Meu Deus! – Exclamou o garoto assustado.

- Que foi Mateus?

- Mãe tem uma aranha no pipi da mulher e ela não faz nada!

A mãe caiu na gargalhada. Mateus a olhou desconcertado.

-Desculpa filho. Esquece.

Ouve-se um barulho na porta. O pai entra no apartamento.

- Paiiiiiiiii.

- Oi filhão!

- Oi Amor. Que bom que você chegou!

- Tá tudo bem?

- Vai ficar melhor agora querido. Mateus pergunta pro seu pai o que você queria saber. Ela vai te responder direitinho.

- Pai de onde eu vim?

A mulher a essa altura do campeonato já se dirigia para a cozinha deixando os dois a sós.

- Melissa volta aqui! – Pediu o homem.

- Amor vou fazer um lanchinho. Enquanto isso você tira a dúvida do Mateus.

- Melissa!

- Ah querido. – Continuou a mulher com um queijo na mão, segurando com a outra a porta da geladeira. - Depois conversamos sobre a playboy que estava escondida debaixo do armário.

23 Novembro 2009

Círio


Domingo de Círio. O desaparecimento daqui deste blog não foi por acaso, estava fotografando a romaria. Além de fazer a cobertura para o portal notapajos.com, também estava 'produzindo' as fotografias que utilizarei no Ensaio Fotográfico que estou realizando junto com meu amigo J. Gambôa. Explico. A exposição é uma das atividades finais da graduação em Jornalismo, como no próximo dia 30, os acadêmicos do VI Semestre de Comunicação Social do Iespes estarão promovendo um sarau, aproveitei para também expor o trabalho na ocasião.

Ainda estou na correria. A Suzy viaja na madrugada de quarta-feira e vou passar a atualizar o portal sozinha. De prévia vai uma foto minha e outra da professora Karol Amorim. As demais imagens publico durante a semana e logo depois da exposição.

17 Novembro 2009

Descoberto o segredo das mulheres no banheiro ...


Ctrl+ C do Blog NÃO CLIQUE


O grande segredo de todas as mulheres com relação aos banheiros é que quando pequenas, quem as levava ao banheiro era sua mãe. Ela ensinava a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocava tiras de papel no perímetro do vaso e instruía:

"Nunca, nunca sente em um banheiro público"

E, em seguida, mostrava "a posição", que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar sem que, no entanto, o corpo não entre em contato com o vaso.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, super importante e necessária, e irá nos acompanhar por toda a vida. No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está estourando.

Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".

Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar.

Você, então verifica cada cubículo por baixo da porta para ver se há pernas.

Todos estão ocupados.

Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo.

Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área.. o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe...

Mas, voltando à porta...

Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição".

Alívio......

AAhhhhhh.....finalmente....

Aí é quando os teus músculos começam a tremer ...

Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço.

Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...

E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias!! Por sorte, não molha os sapatos. Adotar "a posição" requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, puuuuta que o pariuuuu...! O rolo está vazio...! (sempre)

Então você pede aos céus para que, nos 5kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção...

E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!!

Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abrí-la novamente (nisso, as mulheres nos respeitamos muito) e você pode procurar teu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar da porrada que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas...

A lembrança de tua mãe, que estaria morrendo de vergonha se te visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali"

.... você está exausta. Ao ficar de pé você não sente mais as pernas.. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!...

Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.

Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, e te deixou com a bunda à mostra!

Nesse momento, você vê o teu carinha que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.

"Por que você demorou tanto?" - pergunta o idiota.

Você se limita a responder

"A fila estava enorme"

E esta é a razão porque as mulheres vão ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.

Bombom

Encontrou-o na prateleira do banheiro. Só percebeu que estava lá quando caiu sobre o ralo da pia fumê. Era grande demais e senão fosse isso talvez tivesse descido pelo ralo e entupido a encanação, gerando um transtorno. A mulher pegou o pequeno objeto e segurou-o na palma da mão esquerda. Aproximou um pouco mais do rosto para vê-lo melhor. Não acreditou no que viu. Fazia anos que não via um daqueles. Quando foi a última vez? Aos 12 anos? Lembrou do avô. Tinha ganhado dele, numa das idas ao supermercado. Ele sempre lhe trazia algum. Conhecia o seu favorito.


Pousou-o ao lado da torneira e tentou dissipar a leve lembrança do velho. Às vezes a saudade apertava no peito e ela temia chorar. Precisava ser forte. Chorar era coisa de fraco. De gente que não sabia controlar as emoções. No fundo não sabia lidar bem com as partidas, ainda mais a do avô. Num impulso, pegou-o e jogou no lixo. Talvez as formigas adorassem encontrá-lo ali, abandonado.


Lavou o rosto. Desistiu de passar o creme seguinte, aquele para prevenir os sinais de manchas na pele, fator de proteção 100, com uma fórmula especial desenvolvida na China e que levava ervas raras na composição, que comprou naquela viagem a Londres.


Deparou-se com o marido na mesa. De pijama azul marinho com bolinhas amarelas tragava tranquilamente uma xícara de café, enquanto folheava uma edição do jornal local. Ele sorriu ao notá-la parada no corredor. Ela não expressou emoção alguma.



Disse que estava ‘linda’. Ela passou para o quarto e não deu muita bola. Ele levantou-se e foi ao seu encontro. Tomou o vestido que ela estava nas mãos. Colocou-o na cama, de forma suave para não amassá-lo. Abraçou-a. Ela ficou pouco tempo naquele abraço. No fundo não entendia porque estava nos braços dele e porque toda aquela receptividade no início de manhã. Ele deu-lhe um beijo na boca e agradeceu o mimo. Como ela adivinhara? De Laranja! Não se recordava de ter dito a ela que adorava aquele sabor. Ficou mais feliz em ver que era da mesma marca e se surpreendeu com o lote tão antigo. Chamou-a de ‘sensacional’ e a cobriu de beijos. Ela se esquivou da demonstração de carinho, alegando que precisava ir trabalhar. Ele a deixou sair, mas não se antes de agradecê-la mais uma vez.


Depois de toda a cena, decidiu ir ver como estava o filho. Já devia ter acordado, mas sempre insistia em ficar na cama. Cabia a ela puxar o cobertor, passar a mão nos seus cachinhos castanhos e pedir para levantar. Todo dia era a mesma rotina. Sentou-se na beira da cama, no entanto, percebeu que estava sobre algo. Ergueu a coberta e se espantou ao ver dezenas de pontinhos coloridos ao redor do corpo do filho. Ele acordou. O pequeno elevou-se um pouquinho e pendurou-se no pescoço da mãe. Tocou o pequeno narizinho no dela e a beijou em seguida. Ela sentiu cócegas. Deu um sorriso torto e discreto. Tomou-o nos braços e tirou da cama. Ele trouxe consigo a mão abarrotada das pequenas bolinhas azuis, vermelhas, verdes e amarelas. Somente quando o afastou do leito percebeu que o menino estava deitado sobre centenas delas. Algumas abertas. Sinais de que tinham sido devoradas na noite anterior. Ele agradeceu a ela quando a viu observando as embalagens vazias.


Encontrou a empregada na cozinha. Cantarolava feliz enquanto lavava os pratos do jantar. A mulher lhe ofereceu uma larga fileira de dentes. Mesmo não vendo a patroa expressar afinco, agradeceu pelos mimos sobre a pia. Ela tinha adivinhado. Menta era seu preferido. Nunca pensou que a mulher compenetrada se importasse com uma simples senhora que limpava a sua casa. Sentiu-se importante e valorizada.


Pegou a valise sobre a mesa da sala, a chave e o blazer. Algo caiu no chão. Viu o objeto vermelho próximo ao tapete persa, comprado na viagem a África. Cereja com canela. Juntou-o. Olhou atenta. Deixou-o sobre a bancada da televisão. Entrou no carro. Procurou pelo cd que tinha deixado sobre o painel no dia anterior. Não se recordava de que havia guardado. Sua memória não falhava. Era quase perfeita e ela precisava dela. Profissional, não poderia se dá ao capricho de esquecer algo. Cada idéia que brotava na sua cabeça era essencial, daí que tivesse poder de domínio sobre os devaneios.


Abriu o porta-luvas. Uma cascata de bombons lilás saiu lá de dentro. O chão da caminhonete ficou tomado. Ignorou. Iria no silêncio para o escritório. Que brincadeira de mau gosto. Quem estaria fazendo aquilo? Prometeu que iria achar o culpado e puni-lo. Ninguém tinha o direito de brincar com suas lembranças, fazendo rememorar suas guloseimas preferidas, como aquela de jabuticaba.


Por pouco não bateu em outro veículo no estacionamento. Estava irritada e coitado daquele que aparecesse primeiro na sua frente. No elevador, todos os ocupantes pareciam contentes de mais, mascando seus chicletes ou ainda apreciando o conteúdo daquelas embalagens variadas. Odiou a cena. Os sabores sortidos, os cheiros inebriaram o ambiente, aumentando seu furor.


Entrou muda no ambiente de trabalho. Seus funcionários já estavam acostumados. Ela não era de expressar afetos e quase sempre estava estressada. Alguns a tinham como uma pessoa amarga, só não entendiam porque, afinal tinha um bom marido e um filho lindo. Tudo parecia insignificante diante dos seus anseios e mesmo com uma carreira promissora, ela não parecia feliz. Não lembrava de longe uma pessoa alegre. Muitos dos empregados ignoraram a passagem dela. Estavam tão entretidos com os potes sobre as mesas, com suas guloseimas favoritas, que pouco se importaram se ela já estava ali.


Trancou-se no escritório. Ligou o computador. Abriu a cortina. Acomodou-se na cadeira. Fechou os olhos. Tentou abrandar a respiração. Ficou em silêncio. Não conseguiu apaziguar seus tormentos. Sentiu o aperto no peito crescer. A primeira lágrima brotou no canto do olho direito. Depois vieram outras. Chorou. Quanto tempo fazia que não fazia isso. Realmente as pessoas estavam certas, ela era dura demais, amarga demais, insensível demais. Por quê? Na correria por ser grande, acabou esquecendo-se de ser humana.

16 Novembro 2009

Logo ...

De repente os dias tinham passado rápidos demais e logo ela se viu de volta na frente de um monitor rabiscando novas palavras, para um post de início de semana.

Tentou lembrar do que tinha feito no dia anterior, mas o sono que insistia em deixar seus olhos vermelhos, lhe dando uma expressão cansada dificultava o processo de relembrar.

Se concentrou no texto e a cada nova
palavra vinha a dúvida do que escreveria depois, como se cada nova vogal e consoante brotasse a medida que se aproximava o vazio do espaço em branco.

Olhou o relógio. 07h15. Hora de elaborar os planos para os 5 dias seguintes.


Tentou recordar do que precisaria ler. Teses, livros, revistas. Ler era seu passatempo, mas se não estava bem até está paixão lhe parecia monótona às vezes.


Recordou-se de algo que também gostava muito de fazer, sentar-se num canto
isolado de uma velha balsa para ver o pôr-do-sol. Àlias não entendia porque as pessoas estressadas que conhecia não tiravam 10 minutos do seu tempo para se dedicar ao nada. Tinha chegado a conclusão que muito embora cada segundo seja valioso, alguns precisam ser dedicados ao processo de amor individual, a si mesmo.

Estancou ...

O que mais poder
ia escrever agora?

...

As palavras agora corriam desesperadas de seus dedos para não serem fixadas num texto.
Simplesmente tinham livre arbítrio para não quererem ser eternizadas num post de segunda-feira....



Boa Semana pra todos!

12 Novembro 2009

Amigas ...


Velhas amigas se encontram num restaurante badalado para jogar conversa fora, afinal depois de tantos meses sem se falar, de muito trabalho, viagens e outras obrigações, havia muito papo para colocar em dia...

A mulher de cabelos loiros avista a amiga de cabelos negros, com uma taça de vinho na mão sentada numa mesa no canto do ambiente. Percebe que ela não mudou nada, continuava belíssima e chamando a atenção de quem estivesse no recinto. Sentiu uma pontada de inveja de vê-la tão bem, que logo se dissipou ao notar a receptividade da colega.


- Amiga você está ótima. – Disse à mulher que tinha acabado de chegar, ao se sentar.

- Que nada! Você que está bonitona, Loira. Mexeu no cabelo? Parece que fez luzes.

- Sim. Gostou?

- Adorei! Deu uma realçada na sua pele.

- Ah, obrigada.

- Também estou te achando mais magra. Regime?

- Tive que fechar a boca. Você já pensou, além de solteira e ainda gorda? Não dá né fofura?


As duas caíram na risada.

- Você também está pra cima, Morena. Como sempre magra e bonita. O que me conta de novidade?


- Não tenho muitas, só tenho trabalhado bastante.


- Eu também.


- Fazer o quê? É a vida.


- Verdade.


A mulher que chegou por último dá uma olhada ao redor e se volta para a amiga.


- Você já reparou que esse restaurante é um harém?

- Ãh?

- Loira é o espaço com mais homem bonito por metro quadrado que eu já vi.

- Você tá carente?


Ela sorri sem graça.


- Não muito morena, mas a coisa está começando a apertar.

- Quanto tempo?

- Algumas semanas.


- Xii.

- Ei! Dá uma olhada no bonitão encostado no balcão. O moreno claro, de cabelos castanhos, do bocão. Um Deus!

A morena sorri.

- Que foi?

Ela continua sorrindo.


- Fala criatura!

- Já peguei loira. Meu ex-namorado.


- Sério?

- Sim.


- E aí ... ele é bom?

- Demais.

- Tá podendo hein?

- Imagina!


A loira continua observando os seres do sexo oposto presentes no ambiente.


- Vira devagarinho pra sua esquerda. O cara sentado no canto, o branquinho, cabelos pretos, corpo atlético. Esse eu pegava! A mulher sorri discretamente.

- Ah não. Ex também?


- Sim.

- Carambas!

A morena acena para o homem que retribui o gesto.


- E aí ...
- Continua a loira.

- Ele é super carinhoso, muito gentil, um espetáculo na cama, mas ...


- Mas?

- De uns tempos pra cá soube que anda jogando nos dois times.


- Não entendi?

-Bi.


- Hum ... que desperdício.

- Verdade. Depois que soube meu tesão foi pelo ralo.


- Também pudera.

Elas voltam a sorrir. As gargalhadas chamam a atenção das pessoas próximas a mesa.

- Amiga! – Exclama a loira toda empolgada. - Olha agora, ali na direção do banheiro, um espetáculo da mãe natureza saindo de lá. M-E-U D-E-U-S o que é aquilo? Papai do céu eu quero um daquele. Dá pra mim por favor vai...

- Amiga acho que ele não vai poder te dar. – Afirma a morena.


- Porque? Casado?

- Não. Comprometido.

- Sério?

- Humrum. – Diz a mulher assentindo.

- Que pena. Ah um homem bonito desse jeito, bem tratado, cuidado, deve ter casado com uma criatura bem rica e feia.

- Você me acha feia?

- Não. (pausa). Espera aí, não vai me dizer que ...

- Não. Não.

- Ah ta.

- Meu amante.


- O quê?


- Simmmm. Mana sem comentários. Só te digo que ele é demais.


- Morena, passa um pouco desse mel, ou me ensina, me diz, me explica como você consegue tanto homem bonito.


- Segredo! – Afirma a mulher sorrindo.


- Ah amiga, fala sério.


Um sujeito de porte médio, branco, um tanto fora de forma, terno largado, cabelos pretos bagunçados, entra no campo de visão das duas.


- Morena. Duvido se você pegaria aquele ali. – Fala a loira apontando para o homem.

A mulher sorri desconcertada, um tanto sem jeito.


- Já peguei. – Responde baixinho.


- Não acredito!!! Aquele cara feio, sem charme e elegância, uma coisinha de gente comparada com os deuses que você já ficou!!! Cê ta brincando comigo???

A morena toma um pouco de vinho. Respira fundo...


- É meu marido.

11 Novembro 2009

Aparências

Dois velhos amigos de escola se reencontram em um bar, num desses finais de tarde da vida. Carlos e Vitor. O primeiro, o careta, o CDF, o esquisito, da sala, o perseguido pelos valentões, mas que cresceu e se transformou em um homem de 1m75, cabelos e olhos pretos, branco, corpo atlético. O segundo conhecido como o gostosão, o popular com as meninas, o ‘cara’, que tinha virado um sujeito de 1m72, cabelos castanhos, lisos, pele clara e olhos verdes, aparência cansada.
- Carlos? – Pergunta o homem de terno cinza.
O cara de camiseta branca, bermuda e sandália, encostado no balcão, vira para ver quem o cumprimenta.
- Sim? (pausa).Você quem é?
- Tá de brincadeira comigo? Fala sério! Não tá lembrado de mim não? Vitor, meu camarada!
- Vitor! Claro, claro. Estou comigo não é mesmo? Como vai?
- Eu vou bem. Você que mudou pra carambas, quase que não te reconheci. Tá bem diferente daquele cara desajeitado dos tempos de escola, que costumávamos sacanear na sala de aula. Tá até bonito. – Diz o homem caindo na risada.
- As coisas mudam. – Afirma Carlos sorrindo. E aí o que ta fazendo da vida? Ainda continua o “terror da mulherada”?
- Estou indo. Sempre que posso, pego uma. Pra não perder a prática né?
- Certo. Soube que você tinha casado e tinha até tido um filho.
- Boatos. Você sabe como é ... gente querendo acabar com a minha reputação.
- Então não casou?
Vitor se aproxima, apóia o braço no ombro do outro.
- Cá entre nós, eu casei, mas não espalha por aí não. Uma hora você tem que se aquietar e eu tive que arranjar alguém.
Carlos, se esquiva do abraço inconveniente.
- Entendi.
- E você? – Questiona Vitor.
- Eu vou muito bem obrigado.
- Casou?
- Não.
- E a Aninha, aquela esquisitona que andava com você? Pensei que fossem casar. Vocês até combinavam.
- Ficamos juntos por algum tempo.
- Você teve coragem de comer ela? Cara que gosto hein? – Exclama Vitor.
- O que você tem contra a Ana? Ela é uma mulher maravilhosa.
- Mas era feia.
- Era o que você achava. Não se engane com as aparências, meu caro.
- Não vai dizer que ela era boa de cama? Duvido!
- Sem comentários. Há mais coisas entre o céu e a terra, do que possa supor sua vã filosofia.
- Sério?
- Sim.
- E que fim levou ela?
- Ficamos juntos algum tempo. Até concluímos o mestrado juntos, porém uma hora o amor acabou e ficamos amigos.
- Hum.
- Ela foi pra Marrocos. Acabou casando com um xeique.
- P%$# q@# p@#$%. Que sortuda!
- Sim.
- Mas e aí? O que você faz da vida, o que anda fazendo pra sobreviver? Ainda estudando muito? Você tem jeito que deve trabalhar pra caramba. Deixa eu adivinhar, tá de folga hoje, por isso tá todo largado?
- Já não estudo tanto. Essa época já passou Vitor. Eu sou doutor agora.
- Médico?
- Não. Doutor em tecnologia da informação.
- Tá aí! Gostei.
- E você?
- Virei advogado. Tenho um pequeno escritório.
- Fico feliz por você. Eu tenho três empresas, uma no Rio, outra em São Paulo e uma em Manaus. Não estou de folga, vim apenas comprar um iate para uma viagem pelo mundo. Estou hospedado na minha casa de praia daqui, mas não devo demorar, a apesar das 6 suítes, da piscina e de ser de frente para o rio acho muito pequena a residência. Prefiro a de Búzios.
- Car@#$&.
Carlos sorri.
Uma mulher se aproxima do balcão do outro lado. Ruiva, cabelos curtos, olhos castanhos, corpo atraente. Linda.
- Meu irmão ... exclama Vitor todo animado.
- Que foi?
- Vira devagar pra sua esquerda. Dá uma olhada nesse avião que está encostado no balcão. Um espetáculo! Um monumento! Essa eu pegava e botava pra suar. Aí uma deusa dessas na minha mão.
Carlos vira para vê-la. Ela sorrir ao notar que ele está a observando. Dá um tchauzinho.
- Conhece? Pergunta Vitor.
- Sim.
- Sério?
- Sim. Conheço e muito bem. – Responde despretensioso.
- Deixa eu adivinhar... é da sua família?
- Sim.
- Pela aparência... pela pouca idade ... sua irmã?
- Não.
- É mesmo. Agora que me lembrei que você era filho único. Já sei! sua filha?
- Não.
- Uma amiga?
- Também não.
- Então de onde conhece a gostosa? - Questiona Vitor um tanto impaciente.
- É minha mulher.

A vida dá voltas e voltas e numa dessas quem está por baixo fica por cima.

09 Novembro 2009

Mulheres e Mulheres na visão de Armando ...

Sexta-feira passada quando ia saindo do trabalho, o Armando Carvalho me parou em frente ao portão da empresa para me comunicar que uma conversa que tivemos na quinta-feira tinha resultado numa crônica escrita por ele.
Mulheres e Mulheres aborda de forma escancarada e engraçada as figuras do sexo oposto que ele conhece e conheceu. O texto está mais para uma análise.

Segue um trechinho.

...A Dani me pediu uma opinião sobre as mulheres.Resolvi escrever o seguinte sobre algumas mulheres que conheci.Voce é uma mulher que será uma eterna menina...

...Voce é uma garota só para um homem, amar... muito, com cuidado e carinho. É sincera e totalmente do bem. Como voce são poucas...


A crônica completa você lê AQUI.

06 Novembro 2009

Tereza

Tereza era uma dessas pessoas que provavelmente ao te ver pela primeira vez te prenderia em um abraço. Lembro de uma menina da cidade que costumava visitá-la vez ou outra. Essa pequena desaparecia entre os músculos do ante-braços e somente minutos depois, vermelha do afago era solta.

Tereza era casada com Zé. Teve 6 filhos. Três homens e três mulheres, a família era bem dividida, bonecas e carrinhos, crianças com idade próximas para poder brincar entre si. Seu esposo era ciumento, mesmo que não tivesse motivo, afinal Tereza era um amor de pessoa. Quando saia de casa, varria o terreiro até deixar o chão perfeito, se algum desavergonhado se aproximasse da casa dele veria as pegadas deixadas no chão. Oh homem!

Tereza era a mais velha de uma ascendência de educadores. Ensinava crianças. Ensinou muita gente e por onde passava recebia um gesto de carinho. Aprendeu o ofício com a mãe que um dia montou uma escola para ensinar os meninos da comunidade.



Tereza adorava passarinhos. Aliás, amava-os. Eles vinham até seu quintal comer seus cajus. Um dia a menina da cidade saiu afugentando eles da árvore e ela a repreendeu pedindo que não fizesse aquilo. A fruta era deles. Era um acordo. Ela dava os cajus e eles cantavam a tarde toda no seu quintal.

Tereza era dona de uma risada abafada, quase inaudível. Era lindo vê-la sorrindo. Você sorria também contagiado com aquela energia positiva que emanava dela. Certa vez sua voz calou. No entanto ela era forte e sobreviveu a mudez. Quando voltou a falar, falava, falava, mais que um locutor esportivo e contava muitas histórias.

O tempo passou ... Tereza viu os netos nascer. Um, dois, três, quatro. A família cresceu. Os filhos foram embora e ela ficou sozinha com Zé, menos ciumento e de cabelos brancos.

Numa manhã Tereza sumiu. Correu atrás de um passarinho que apareceu no parapeito da janela do prédio em que estava numa avenida movimentada de uma grande capital. Vestiu os chinelos ajeitou a bata e não foi mais vista. Desvaneceu no nada.

Quando deram pela falta de Tereza só ouviram a risada baixinha sendo levada no vento.Ela tinha ido para um lugar melhor.

05 Novembro 2009

Melhor Blog Paraense

Crianças !!!

Estou participando do Concurso que vai eleger o Melhor Blog Paraense.
O Poeira, chão e palavras esta inscrito na categoria Ficção (escrever crônicas dá nisso, rsrs).
A votação está sendo feito no blog dos Blogueiros Paraenses.
Faça uma blogueira feliz, vote neste blog.

'Patrícia Poeta de calças'


"Estou me sentindo uma Patrícia Poeta de calças. Desde que cheguei a Santarém devo ter dado umas 27 entrevistas." Kiko Menezes, réporter do Sport TV durante a cobertura da decisão do São Raimundo x Macaé.

O jornalista estava torcendo pelo Pantera. A matéria completa será divulgada no próximo domingo (08) no Esporte Espetacular. Na foto feita um pouco antes de começar a partida, Kiko falava ao vivo para os ouvintes da Rádio Clube.

Corre!


O interessante de você acompanhar uma partida de futebol no campo, são as imagens únicas que você consegue captar de um ângulo privilegiado. Nas fotos a pequena bola domina os jogadores. Pense num objeto idolatrado. Todo mundo quer.


Fotos: Dannie Oliveira

Enfim


Hoje depois de tantos meses falando sobre meu Trabalho Acadêmico Orientado venho compartilhar a vitória dada na noite de quarta-feira. Às 21h30, protocolei na Secretária Acadêmica do Iespes, a pesquisa ‘A Informação contida na imagem: a fotonotícia’.
A todos que me apoiaram, aos leitores deste blog que foram compreensivos com a minha ausência, MUITO OBRIGADO!

04 Novembro 2009



 
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