29 Outubro 2009

Daqui a uma semana (talvez até menos) devo terminar o TAO (Trabalho Acadêmico Orientado). Desde agosto estou as voltas com livros e interpretações. Li e reli dezenas de arquivos.

Hoje estou mais apaixonada por fotografia.
Deixei de fazer um monte de coisas também durante este período de dedicação. Me estressei, gritei, passei fome (para não perder a linha de pensamento), mas ao imprimir setenta folhas a sensação é de alívio.

Quando me deparei com os papéis, as letrinhas pretas formando pensamentos concisos, parei e me perguntei ‘foi eu mesmo que fiz? É estranho e no fundo tem sabor de superação.

Que o diga meu companheiro Járlisson (faz dupla comigo)? Crescemos juntos e se antes éramos amigos,viramos irmãos.

TAO’s tem dessa.


Fazendo uma pesquisa no Google/ Wikipédia descobri que ...

Tao 道(pronuncia-se tao, mas na grafia chinesa Pinyin escreve-se Dao) significa, traduzindo literalmente, o Caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o Absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as «dez mil coisas» que existem no Universo foram criadas.

É um conceito muito antigo, adotado como princípio fundamental do taoísmo, doutrina fundada por Lao Zi.

Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.48) - O Livro do Caminho e da sua Virtude

Tudo bem que esse TAO é diferente, mas não deixa de ser interessante.

Jogo


Domingo tem jogo.
Nós últimos dias o assunto em Santarém é a partida final da Série D entre São Raimundo e Macaé.
Em todos os lugares tem um cristão (pode ser um ateu também, ou similar se preferir) falando sobre o bendito jogo.

O povinho pra gostar de futebol!!!

Vai ver assim esquecem as mazelas da vida...

Pelos ossos do ofício vou a campo ... fotografar.

Trabalho é trabalho e quem sou eu para dizer algo.

Não é mera implicância, mas eu me encaixo entre aquelas que vêm numa partida de fubteol um monte de homens (pernas! E que pernas!!!) correndo atrás de uma bola.

Santa ignorância!

No entanto desculpe se não carrego entre meus genes aqueles favoráveis a gritar feito uma louca da arquibancada.

'Vai lá C%&*# chuta pro gol! P$#&@'

Já percebeu que não dá pra torcer sem chamar palavrão?

Isso rende uma teoria.

Torcer = a chamar muito palavrão.

Deixa pra lá.

E o Pantera avançou no Campeonato e eu abandonei a alienação futebolística, tanto que hoje (com o apoio dos sites de esporte, claro) já me arrisco a escrever uma reportagem sobre o assunto. Me rendo e confesso que estou escrevendo sobre isso para o Portal.

C'est la vie.

E aí quem ganha domingo? Pantera ou Macaé? Arrisca um placar?

23 Outubro 2009

Caricia

- Amor não! Hoje não.


Silêncio.


Dois minutos depois.


- Não amor. Eu não estou afim. Estou cansada...


Ele pára.


Ela abraça o travesseiro. Tenta se acomodar para voltar a dormir. Tinha tido um dia daqueles! Exaustivo. Cheio. Só queria descansar. Relaxar a estrutura dolorida que era seu corpo.


Ele insiste.


Ela ignora.


Mas acaba por exprimir uma reação meio minuto depois. Até que o carinho no pé era gostoso.


- Você não tem jeito mesmo! – Diz.


Ela vira para contemplá-lo. Ele ... olhos fechados, postura de quem está no melhor do sono. Encara-o.


- Não sabe nem mentir. Eu estou vendo você piscando. Quer me enganar é?


Ele continua na mesma posição. Quieto. Sereno. Tranquilo.


- Amorrrrrrrr. – Ela insiste.


Ele abre os olhos surpreso. Observa. Não entende nada. O que estava acontecendo?


- Você está bem? – Questiona.


- Por quê?


Ele olha o relógio na mesinha da cabeceira. 02h45.


- Já viu a hora? – Pergunta um tanto aborrecido.


- Você que começou.


- Eu que comecei o quê?


- Você que me acordou. Eu pedi pra você parar, mas você continuou.


Silêncio. Eles se encaram.



- Agora quem não está entendo nada sou eu.


- Vamos voltar a dormir. Eu estou com sono. – Ele pede.


- Assim?


- Assim como?


- Você me acorda. Provoca-me. Me deixa querendo e depois diz que não?


- Querida ... acho que você está trabalhando demais.


- Realmente estou e você não está me ajudando agindo dessa maneira.


- Vamos! Encosta a cabeça no travesseiro e volta a dormir. Tá bom.


- E os finalmente?


- Finalmente?


- Sim. – Afirma ela com um sorriso malicioso descendo a mão pelo peito dele.


- Ãh? Agora?


- Não depois de amanhã. Não se faz de desentendido... O que você estava roçando no meu pé? Algum brinquedinho novo? Diz aí vai...


- Brinquedinho? Você sabe que não sou dessas coisas.


- Vai! Fala o que é? – Insiste.


- Amor ... sinceramente eu não estou entendendo.


- Não sei, pareceu algo gelado, com gel. Fala vai...o que é. - Pede entusiasmada.


- Não fiz nada. Eu juro.


- Então tá.


Ela volta para seu lado da cama. Abraça o travesseiro. Algo se esfrega nos seus pés debaixo do cobertor.


- Pára! – Grita ela se voltando para ele. Não tem graça. Não quer não insiste.


- Não fui eu!


- Não tem graça. Que saco!


- Amor...


- Já chega! tá bom?


Ele se virá para um lado e ele para outro. Algo se move rapidamente por baixo do lençol e avança em direção aos dois.


- Ruffus!
!!


14 Outubro 2009

O Ponto de Ônibus

“O amor é um sentimento improvável, que desperta não sei de onde e nem sei porquê”

No ponto de ônibus.

Um rapaz se aproxima.


- Oi. Licença. O Bosque da Paz já passou?

A moça parada próxima ao meio-fio responde.


- Já.


- Que pena.– Lamenta desolado tirando o boné e passando a mão nos negros cabelos cacheados. O suor descendo pelo canto do rosto. Era um daqueles dias quentes.

- Não demora passa outro.

- Viu se o Campo das Flores passou também?
- Questiona o rapaz.

- Não ainda não. Estou esperando ele também. Pode ficar tranqüilo, está quase no horário dele.


- Menos mal.


Ele se aproxima.Tenta afugentar o calor com o boné.

- Tá calor né?

- Demais ...

Ele pára e observa a menina magrinha, de calça jeans, camiseta branca, all star desbotado, cabelos castanhos presos num rabo de cavalo. Fixa o olhar nos livros em suas mãos.


- André Vianco?


Ela o encara sem entender. Recorda-se das obras que carrega.


- Sim, sim. – Consente.

- Gosta?

- Comecei a ler há poucos dias. Bom ... é até bacana.


- Gostou ou não?

- Estou acostumada à literatura estrangeira. Confesso que preciso ler mais autores nacionais.

- Ele é o cara! Me amarro nos livros dele. Você vai gostar. Vai ver ainda não pegou o fio da história.

- Vai ver é isso. – Concordou.


- Mas porque Vianco se não gosta dos escritores brasileiros?

- Não disse isso.


- Você acabou de afirmar, linda.


- Não foi bem assim, mas tudo bem. Não vamos discutir.

- Sim.


- Decidi fazer um contraponto a Stephanie Meyer. Já ouviu falar?


- Já sim,mas não me empolguei para ler.


- Por quê?

- Vampiros gostam de atacar humanos e não de correr atrás de gazelas e leões da montanha.


- Então já leu alguma coisa?


- Um resumo confesso.


Ela sorri.

- Mas só isso. Entre o Cullen e o Samuel, prefiro o Samuel do ‘Senhor da Chuva’.

Ela observa a rua.

Mais pessoas agora se aglomeram no ponto de ônibus.


- Gosta de The Clash?

- Nunca ouvi. - Responde a moça.


- U2?

- Adoro U2! – Diz extasiada. - E você? Gosta?


- Mais ou menos. Você tem cara de quem gosta do Bono mesmo.

- Porque?


- Esquece.
- Pede ele.

Sorriem.


- Gosta de alguma banda nacional?


- Não sou muito fã. Acho que os caras brasileiros precisam evoluir um pouco mais. Nada contra, mas nesse ponto fico com os estrangeiros. É que nem você e seus livros. O ônibus para.

Os passageiros sobem.

Eles são os últimos.

Sentam-se em um banco no meio do veículo.


- Gosta de filmes? – Pergunta ela.

- Depende da história.


- Hum...

- Você gosta de anime? Mangá?

- Tenho um amigo que gosta. Já vi alguns na casa dele. Têm alguns interessantes, mas não guardei nenhum de cabeça.


- Voltemos a falar de livros então?

- Certo.

- Me deixa pensar num livro ...

Ela interrompe.

- Você já leu Criança 44?

- Ainda não. De quem é?

- Não me lembro o nome do autor, é um russo. Digita o nome no Google que aparece.


- Tá bom.


- É um suspense. Acho que você vai gostar. Espiões, guerra fria, assassinatos na linha do trem.

- Ta aí. Vou procurar.


Os dois observam a paisagem que passa pela janela do ônibus.
Silêncio.

- Pedro.

- Bianca.

Sem formalidades.

- Você é legal.

Ela sorri tímida.


- Você também.


- Tenho que ir.


- Até outra hora então.


- A gente se vê?


- Se esbarra por aí ... quem sabe na parada ... quem sabe no ônibus...


- Isso soa filosófico.

Ele se aproxima para dar um beijo no rosto dela. Uma despedida. Num gesto impreciso os lábios se tocam. Um breve toque, um selinho.

- Tchau.


- Tchau.


Ele levanta e vai embora. Desce. Caminha sem olhar pra trás louco de vontade de fazer o contrário, de dar um tchauzinho, de sorrir mais uma vez pra ela. Mas acha melhor não. Teme parecer exibido.

O ônibus segue viagem. Ela abre de volta o livro. Volta à leitura. Olha pela janela e vê a silhueta de um rapaz de boné sumir entre os postes e estabelecimentos comerciais.


A vida segue ...



... Se encontrariam no dia seguinte, na semana, no mês, no ano até o dia em que ficariam juntos para sempre.

08 Outubro 2009

15 coisas para você aprender com John Lennon

Claudio R. S. Pucci especial para o Terra Homem



John Lennon, o beatle que virou um símbolo, completaria 69 anos nesta sexta-feira, 09 de outubro. Letrista e músico de primeira qualidade, poeta e - para quem não sabe - também escritor e desenhista, Lennon era um incansável defensor da paz e desenvolveu vários libelos anti-guerra atraindo até mesmo a antipatia de Richard Nixon, que queria deportá-lo dos Estados Unidos de volta à Inglaterra, conforme visto no documentário The U.S. versus John Lennon de 2006.

Mestre em tiradas sarcásticas, ao mesmo tempo que pregava um estilo de vida alternativo, ele deixou uma série de lições, ainda atuais, 29 anos depois de sua morte. Aqui vão então 15 de suas frases mais contundentes:

1. Um sonho que você sonha sozinho é apenas um sonho. Um sonho que você sonha junto (com outras pessoas) torna-se realidade.

2. Eu acredito em Deus, mas não como uma coisa única, um velho sentado no céu. Eu acredito que o que as pessoas chamam de Deus, está dentro de cada um de nós. Eu acredito que Jesus ou Maomé ou Buda e todos os outros estavam certos. Foi só a tradução que foi feita errada.

3. Eu não acredito em matança, seja qual for a razão!

4. Se todos lutassem por paz em vez de por outro aparelho de televisão, então haveria paz.

5. Se você tentasse dar outro nome para o rock'n'roll, então ele seria Chuck Berry.

6. Se alguém pensa que paz e amor é um clichê deixado para trás no fim dos anos 60, isso é um problema. Paz e amor são eternos.

7. A vida é o que acontece quando você está ocupado fazendo planos.

8. Meu papel na sociedade, ou de qualquer artista ou poeta, é tentar expressar o que nós sentimos. Não é dizer às pessoas o que sentir. Não como um pregador ou como um líder, mas como um reflexo de nós mesmos.

9. Nossa sociedade é conduzida por pessoas insanas com objetivos insanos. E acho que estou sujeito a ser posto de lado como um insano por expressar isso. Isso é que a insanidade.

10. Rituais são importantes. Hoje em dia está na moda não ser casado. Eu não quero estar na moda.

11. O que os anos 60 fizeram foi nos mostrar as possibilidades e a responsabilidade que cada um tem que ter. Não era a resposta final. Só nos deu um vislumbre da possibilidade.

12. Quando você está se afogando não pensa "eu ficaria imensamente satisfeito se alguém tivesse a providência de notar que estou me afogando e viesse e me ajudasse". Você apenas grita.

13. Para nosso último número, quero pedir a ajuda de todos. As pessoas nos lugares mais baratos podem bater palmas? E o resto de vocês aí (nos lugares mais caros) apenas chacoalhem suas jóias.

14. Se as pessoas prestam alguma atenção naquilo que falamos, então eu digo que nós estivemos envolvidos no mundo das drogas e que não existe nada melhor do que não estar mais viciado.

15. Eu sempre considerei minha obra como uma coisa só e acho que meu trabalho só estará encerrado quando eu estiver morto e enterrado e espero que isso demore muito tempo. (N.R.: Ele falou isso numa entrevista para a rádio RKO no dia de sua morte).

07 Outubro 2009

Medo

Ficou ali.

Parada.

Estática.

Muda.

Os galhos do salgueiro chorão arranhavam pelo lado de fora a janela. Era tarde. Madrugada. 01h00. Ninguém em casa. A rua deserta. As primeiras gotas da tempestade começando a cair. Um cachorro latia longe, (talvez perto demais). O barulho se assemelhava a um uivo, daqueles assustadores em que um frio corre pela espinha.

Voltou pra cama. Devagar. Passadas leves. Caminhou de costa para encarar. Encolheu-se debaixo dos lençóis. Varreu o ambiente ao redor com um olhar rápido. Tentou acender a luz do abajur. Estava queimada. Tentou a do celular. Descarregado. Nenhum sinal. Cobriu a cabeça, no entanto sentia que ainda estava lá.

Rezou. Mas esqueceu as preces meio segundo depois. Quis sair correndo, mas e se tropeçasse é caísse no carpete? Ele com certeza a pegaria e faria algo pior. Melhor nem pensar. E se gritasse? mas quem iria ouvir?

Quis a mãe, o pai, o avô, o irmão chato. Quis que qualquer pessoa estivesse ali para protegê-la. Mas estava completamente só. Sozinha. Arrependeu-se de não ter ouvido os apelos do sono. De ter ficado acordada até tarde quando deveria estar na cama. Agora estava ali, frente à frente. Com medo.

Não via saída. Teria que enfrentá-lo. Não tinha uma arma. Teria que improvisar. Discretamente estendeu o braço direito e passou por baixo da cama. Tateou alguma coisa. Talvez servisse. Talvez pudesse usá-la, ou melhor, usá-lo. O tênis da escola. Não era muito grande, afinal ela calçava 36. Grande arma um tênis! Grande arma para se encarar o medo.

Mirou. 30 segundos depois o tênis voava pelo quarto e atingia alguma coisa...



Acuado, o bicho-papão voltou para o armário depois de levar uma sapatada.


06 Outubro 2009

O violeiro ...



... Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci ...

... e a garça


'... E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê...'

Chico Buarque - Olhos nos olhos
 
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