31 Agosto 2009

O Ex (II)



- Amor?

- Oi.

‘Ex’ na linha.

- Você está onde?

- Onde mais poderia estar às 10h15 de uma segunda-feira?

- No trabalho?

- Claro que sim!

- E aí como vai o Mike?

- Não acredito que você me ligou pra perguntar sobre o cachorro? Não dava pra passar um e-mail, um sms?

- Você coçou a cabeça dele do jeito que te falei? Olha lá, não vale mentir.

- Arhhhh!

- Ainda de TPM? Você deveria procurar um médico pra ver esse seu problema. Tenho até medo de você quando está nesse período.

- Engraçadinho.

- Como vai a bruxa? Ops! Digo a sua mãe?

- Desde quando você se preocupa com a minha mãe?

- Outro dia eu a vi na rua. Ela estava do outro lado da avenida. Gritei o nome dela e ela me olhou. Primeiro ela baixou três dedos da mão e ergueu o do meio. Eu dei um tchauzinho. No que ele retribuiu apontando pra mim, ‘Você’, acho que veio um ‘se’ depois porque era o mais coerente com o gesto que veio em seguida, uma mão aberta batendo numa fechada, insinuando um coito contra minha vontade.

- Hum.

- Mas tudo bem.

- Sei.

- Como foi o final de semana? E o almoço na churrascaria ‘Boi na Brasa’?

- Como você sabe que eu estive lá? Tá me vigiando?

- Eu? Imagina! Cartão de crédito e conta conjunta, lembra? E aí quem levou para almoçar? Algum idiota do seu trabalho ou um babaca da academia?

Silêncio.

- Ei! você ainda está aí?

- Aguarde um momento.

- O que está fazendo?

- Pronto já terminei.

- O quê?

- Já anotei na minha agenda ‘procurar o gerente do banco para desvincular a conta’.

- Para com isso vai...

- Pro seu comando, eu não te devo satisfação, mas vou te falar, foi o aniversário da vovó.

- Da feiticeira?

- De quem?

- Da feiticeira. Se sua mãe é uma bruxa, a mãe dela é uma feiticeira é óbvio!

- Você vai falar mal da minha mãe pra mim?

- Não, não docinho.

- É melhor!

- Ah! Assisti alguns filmes esse final de semana. Lembrei de você.

- Que filme?

- Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Viu! Se nem no filme com aquele método evolucionário a Kate Winslet não conseguiu esquecer o Jim Carrey imagina se você vai me esquecer na vida real.

- Tá bom.

- E P.S: I Love you? Muito massa!

- Desde quando você gosta de comédia romântica? E das minhas preferidas? Amor, não se preocupe. Se você não voltar pra mim, antes de me matar eu escrevo um monte de bilhetinhos que nem o Gerald Butller.

- Carlos André você tá maluco? Quer me enlouquecer é isso?

O chefe passa e lança um olhar feio para ela, que retribui com um sorriso sem graça.

- Se você ficar louca eu cuido de você, que nem o velhinho cuida da amada dele em ‘Diário de uma Paixão’. Sabia que eu chorei assistindo o drama?

- Você quer que eu vá pra rua isso sim, por isso me liga no horário de trabalho.

- Se você for demitida eu trabalho por nós dois. Eu te sustento. Não esqueça do juramento ‘na riqueza e na pobreza’.

- Você só pode estar brincando comigo! Só posso ter atirado pedra na cruz!

- Amor...

Ela fica calada.

- Meu coração. Minha paixão. Meu docinho. Fala comigo ...

- O que é? – ela grita.

- Te Amo tá!

27 Agosto 2009

O 'Ex'

Separação e sempre um momento difícil. Que o diga ter que recomeçar do zero...


02h00 de uma quarta-feira. O telefone toca. ‘Ex’ na linha.

- Alô. – Ela diz sonolenta.

- Amor?

- Oi.

- Você estava dormindo?

- Estava.

Silêncio.

- O que você quer?

- Você tem um abridor de lata para me emprestar? Sabe como é ... eu preciso comer. Como não sou nenhum mestre-cuca estou tendo que apelar para os enlatados já que você me abandonou.

- Você me ligou para pedir isso? - Pergunta contrariada.

- Foi.

- Eu não acredito!

- Me empresta vai. Deixa de ser chata.

Ela olha no relógio.

- São 02h00 da manhã!

- Sim. Qual o problema? Quando morava aí, íamos dormir 03h00, 04h00 e você nunca reclamou.Fora que tinha dias em que amanhecíamos dançando na beira da praia. Lembra daquela vez em que fomos flagrados nus correndo na areia?

Ela desliga o telefone.

- Amor? Amor? Amor? Você está aí? Fala comigo! Amorzinho. Ingrata.

Meia hora depois...

- Alô.

- Você ainda está acordada?

- Eu não consigo mais dormir, porque um idiota me ligou as 02h00 da madrugada e espantou meu sono.

- Nossa quanta agressividade!

- Você só pode está brincando com a minha cara.

- Imagina querida. Você acha que faria isso com você?

- Acho.

- Credo. Você está de TPM, estressada ou coisa parecida?

- Nenhuma coisa nem outra. Fala logo o que você quer dessa vez.

- Eu queria o nosso travesseiro.

- O quê?

- O nosso travesseiro. Para ser mais específico o seu.

- Que loucura é essa?

- Já que não tenho você aqui para dormir comigo, pelo menos quero alguma coisa que lembre você.

- Não basta você ter levado meu ursinho, meu roupão, meu livro preferido, e até minha camisola vermelha? Aliás me diz o que você vai fazer com a minha camisola? Vesti é que não vai, porque francamente você não cabe dentro dela.

- É pra sentir seu cheiro docinho. Você não sabe o quanto está sendo difícil pra mim. Estou sentindo muito sua falta.

- Já conversamos sobre isso.

- Certo, certo. Volta pra mim vai ... deixa de tolice.

- Carlos André vai dormir. Beijos. Boa noite. Bons sonhos!

Ela desliga.

15 minutos depois ...

- O que foi dessa vez?

- Como você sabe que sou eu?

- Tenho uma bola de cristal. Diz logo o que você quer?

- Como vai o Mike?

- Eu não estou acreditando? Você me liga em plena madrugada para perguntar sobre o cachorro?

- O que tem demais? Você já não está acordada? O que custa conversar comigo? Tem alimentando ele direito? Levado ele para passear? Coçado a cabeça dele perto da orelha? Não se esqueça que ela adora isso.

- Vai me ensinar agora como cuidar do meu cão? Esqueceu que ele já estava aqui antes de você chegar? Antes de morar comigo?

- Nossa você sabe ser bem cruel quando quer.

- Você não tem mais o que fazer não? Sabia que a noite foi feita para dormir? Se você quiser conversar, nos conversamos outra hora. Agora por favor, deixa eu dormir. Eu levanto cedo para trabalhar. Você sabe o que é isso?

- Tá certo. Como as pessoas mudam ... Vivemos tanto tempo com elas e de repente é só vim a separação que elas ficam completamente diferentes. Esse seu lado eu não conhecia.

- Boa noite.

Ela desliga novamente.

Cinco minutos depois ...

- O que é ??? Pelo Amor de Deus eu preciso dormir! Para com isso! Você quer me enlouquecer! Eu estou cansada. Tive um dia estressante. Tenho uma pilha de relatórios para redigir amanhã e você me liga em plena madrugada para me perguntar sobre um abridor de latas, um travesseiro e um cachorro ??? Esbraveja ela visivelmente irritada.

- Eu só queria ouvir sua voz.

- Arhhhhhhhhhhh.

- Te Amo tá!

25 Agosto 2009

O visitante

Esse aí apareceu de penetra no meu almoço de domingo. Quando viu que estava sendo fotografado começou a fazer maior pose. Depois dos cliques ainda queria cachê, se bem que ... acho que ele estava de olho nas minhas amigas que estavam no quintal.

21 Agosto 2009

O reencontro

Ele se aproximou.

- Oi.

Ela não deu à mínima. Concentrada na tela do notebook tentava rabiscar um novo livro, um novo texto, uma nova crônica, algo do gênero. Olhou o rio. Adorava trabalhar sentada naquela mesinha, daquele barzinho, em frente à cidade.

- Quando for pedir alguma coisa eu chamo. – Disse na tentativa de despachar o cara do seu lado.

Ele permaneceu ali. Parado.

- Agora não garçom.

Continuou ali.

- Certo, certo. Já entendi. Se estou ocupando a mesa, preciso consumir algo. Deixa eu pensar... Um sorvete de baunilha, flocos, ameixa e milho verde, tudo junto numa mesma taça.

Ele saiu. Voltou 5 minutos depois com o pedido. Colocou sobre a mesa. Ela agradeceu. Ele continuou ao lado.

- Depois eu pago.

Ele se afastou. Deu três passos. Parou. Voltou para a mesa onde estava ela. Puxou a cadeira a sua frente. Sentou. Ela ainda reclamou.

- Não pode sentar aí.

Ele sorriu da cena.

Ela o reconheceu. ‘O rapaz da corrida no parque’. Quis agarrar o notebook e sair correndo. Tudo bem ela não era uma atleta, mas nessas horas as pernas ganham um impulso extraordinário. Lembrou da tragicomédia do dia anterior. Quis fugir. Levantou.

- Não vai cair!

Entendeu aquilo como um desaforo. Voltou a se sentar. Não gostava de ser confrontada. Abriu o computador, voltou a digitar. O sorvete derretia na taça.

- Você sempre come tanto assim? Você vai ficar gorda.

Ele não tinha algo melhor para dizer? Tinha que chamá-la de gorda? Não há nada que atinja mais a auto-estima de uma mulher do que ser chamada de gorda. Ela permaneceu calada.

- Vai ver por isso a queda no parque, por causa do quilinhos.

Piorou a situação.Ela não disse uma única palavra. Ficou estática. Muda.

‘Grosso , troglodita, bárbaro, insensível’.Pensou.

Olhou de relance, mas ele era lindo. Logo não era mais grosso, troglodita, bárbaro e insensível. De cara adorou o sorriso dele. Tinha uma queda por sorrisos. Já dava a maior bandeira que gostou dele.

O anjinho surgiu no ombro direito , insinuou um: ‘Deve ser maior safado’. Ela deduziu que sim do contrário não estaria ali na sua frente tentando agradar.

O diabinho apareceu do outro e soltou um: ‘Vai em frente, agarra o cara’. Ela analisou melhor , realmente era o maior filé!

- Você é muda? É isso? Espera eu me lembro de você ter falado na última vez.

Ela rompeu o silêncio.

- Você sempre se passa por garçom, pra sentar-se à mesa dos outros?

- Gostei de você.

- É mesmo?

- Você podia ser menos defensiva. Eu não mordo.

- Mas ofende.

- Só porque te chamei de gorda?

- Tá se achando a última bolacha do pacote não é? Saiba que não é!

- Desculpa. Você não está gorda. Está sexy.

- Você não tem intimidade para falar esse tipo de coisa.

- Entenda como um elogio.

Silêncio. Algumas palavras na tela.

- Você é escritora?

- Arrisco.

- Você parece jornalista. Não é?

- Já fui.

- Sou economista. Afirmou ele.

- Odeio números.

- Eu os adoro.

- É casada? Tem noivo, namorado, filhos.

Ele estava querendo saber demais. Esforçava-se para saber um pouco mais dela. Estava encantando. Ela era diferente das outras mulheres. Sabia disso. Não era supérflua. Ela escrevia. Ele adorava números. Ela o achou insistente. Tentava não encará-lo, mas queria se perder nos seus beijos. Viajou na maionese.

- Entendi... é casada.

Voltou pra terra (depois de uma rápida viagem a lua). Ele a encarando-a. Se recompôs.

- Moro sozinha com meu cachorro.

- Eu adoro cachorros ! Gatos são individualistas.

De onde vieram os gatos? Nada a ver. Tentativa de manter o assunto talvez.

- Você sempre vem aqui?

- Sim.

- Sempre vai ao parque?

‘Porque ele tinha que se lembrar do parque!!!’ Pensou ela.

- Garçom! Um suco por favor!

Ele olhou para ela.

- Um sorvete?

- Não obrigada estou de regime.

- Gostei de você.

Sorriram. As defesas começaram a cair.

Uma mulher caminha na direção dos dois. Sorrindo. A desconhecida acena. Ela retribui timidamente e desconcertada. Ela a conhece. Ele sorrir. Meio segundo depois ..

- Bebê da mamãe!!!

Ela quis se enterrar.

Algumas mães sabem como acabar com um segundo encontro.


20 Agosto 2009

A corrida

Conheceram-se numa dessas corridas da vida, num parque da cidade. Final de tarde.

Ela odiava qualquer tipo de exercício físico. Achava perca de tempo. Ela que não iria perder o seu. Era precioso. Mas um dia vieram os comentários ... ‘Você está gorda!’, ‘Você está grávida?’. Um rasgo na sua auto-estima.


Ele era a saúde em pessoa. Corpo atlético, boa aparência. Um desses caras que quando passa na rua, desperta suspiros. Simpático, mas tímido demais. Trabalhador. Seu hobby: correr.


O primeiro dia dela foi uma tortura. Tropeçou num ladrilho e por pouco não foi de cara no chão. Ouviu algumas risadinhas pelas costas e preferiu não olhar. Estava sensível demais. Tudo aquilo para ela estava sendo um drama, daqueles bem melindrosos. Aliás, essa era uma característica dela, era dramática demais. Devia ter feito teatro, televisão, cinema, teria dado uma ótima atriz, no entanto preferiu os livros. Adorava escrever. Isso estava explícito no rosto dela. Tinha jeito.


Ele trabalhava o dia todo com o pai, um daqueles sujeitos que só pensavam em cifras. Quanto mais altas melhores. Tentava não se estressar. Vivia sobre a máxima de que deveria ser o exemplo da família. O cara responsável, trabalhador, o herdeiro do império. No fundo não ligava para nada disso. Queria só viver a vida, ter alguém que lhe desse um abraço e um beijo depois de um dia cansativo. Não tinha muita desenvoltura com as mulheres. Esse era seu defeito. Os amigos bem que tentaram ajudar... As que lhe apareceram foram supérfluas demais, lhe proporcionaram algumas horas de prazer, nada, além disso. Cansou. Só a satisfação do que estava entre as pernas era pequena demais. Queria mais.


Por falar em homens ... ela tinha uma sorte ‘daquelas’. Um ‘dedo podre’, como lhe disse uma amiga. Tinha uma coleção de desilusões. Quando viu que não iria encontrar um príncipe encantado, começou a sair com os sapos. Também cansou. Preferiu ficar no seu quadrado.


Vai entender os desígnios do acaso...


Ele parou para amarrar o cadarço do sapato. Era meio que perfeccionista, se bem que isso era mais uma questão de cautela; cadarço desamarrado = queda. Ela falava no celular com uma amiga. Corria um tanto desajeitada olhando para os lados procurando a colega que teimava em dizer que estava por ali. Não a encontrou. Na distração não viu o rapaz abaixado na sua frente. Foi de encontro. Só não se esborrachou na calçada porque ele foi ágil e conseguiu a segurar. A queda teria sido feia. Sentada no chão ela quis se enterrar quando viu aquele ‘Deus’ na sua frente. Seria ele um anjo? Estaria ela no céu? Lembrou que não tinha batido a cabeça. Ele era real.


Sorriu desconcertada. Agradeceu. Arrumou a blusa. Foi saindo de fininho. Enrolou-se nas pernas. Caiu. Desta vez foi de encontro à calçada. Beijou o ladrilho.


Algumas mulheres sabem simplesmente como acabar com um primeiro encontro.

19 Agosto 2009

Obrigado


Bom.
Começo está quarta-feira (19) agradecendo as manifestações de carinho e os parabéns que recebi via e-mail, sms, orkut.

Agradeço as pessoas que me ligaram.

Que me parabenizaram pessoalmente.

Agradeço ao Gamb pelas flores. Flores são flores e é sempre bom recebê-las.

Aos meus pais pela curimatã assada e o baião de feijão verde,que estava divino!

Agradeço ao Guarany, ao Kleber, a Suzy, ao Pedro pela festa na informática. Por pouco eu não chorei.

No mais obrigado a todos por terem feito do meu aniversário uma data fantástica.

A festa na Info

O bolo ...

Sim ... posso comer meu pedaço em paz?

'- Tá bom se você não quer dividir, fazer o quê?'

E o primeiro pedaçao vai para ...

'Deixa eu ver se tá bom ...'

Olha quem apareceu para a festa. A D2 também se fez presente no evento. A Suzy fugiu da foto.


O responsável por mais uns quilinhos que ganhei no meu aniversário ... Também conhecido como o promoter da informática.

18 Agosto 2009

Amor pra recomeçar

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...

Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar
Prá recomeçar...



No berço ...


Apesar de chegar aos 22 ... ainda continuo sendo a princesinha do papai.

17 Agosto 2009

Reflexão 2.2


Sempre que se aproxima a época do meu aniversário me ponho a pensar nas dezenas de coisas que deixei de fazer no último ano.

Costumo dizer que os dias que antecedem a data são tomados por tudo aquilo que poderia ter sido feito e não foi. Reflexões...


Sei que isso é meio que chorar sobre o leite derramado, mas fazer o quê?


De tudo o que ficou posso afirmar que fui mais feliz se comparado a períodos anteriores.

Acho que a felicidade é gradativa e cresce a cada nova primavera.


Tive momentos de solidão também. Enganam-se os que pensam que quem trabalha na mídia não se sente sozinho. Já me senti abandonada em meio à multidão.

O ano que passou foi de superação. Dos males que vieram para o bem, como a minha cirurgia surpresa (hoje penso que se não tivesse saído da rotina estaria louca ou deprimida). Descobri que era muralha inabalável construída em base de isopor.

Tentei descobrir um novo amor , mas acabei me conformando com algumas paixões.
Sofri, mas também fui muito feliz enquanto durou. No fundo ainda espero pelo meu príncipe encantado que ao que tudo indica deixou o cavalo para vir de canoa.

Tive avanços memoráveis na minha carreira. Matérias publicadas em esfera nacional. A mamãe passou a ler meu blog. Meu irmão indicou para os amigos. E quanto ao meu pai... bom esse ainda não se rendeu aos meu textos.

Conheci gente. Muita gente! Apesar dos autos e baixos continuo amando o jornalismo.


Mudei meu visual diversas vezes. Fui loira, ruiva, morena. Engordei!E hoje estou um pouco cheinha, mas muito bem obrigada.

De tudo posso dizer que chego aos 2.2 com a certeza de que a vida me ensina uma lição a cada manhã que abandono meu travesseiro.




P.S: Nesta terça-feira (18) minha lagoa da vida ganha mais um patinho, vão formar um casal.

14 Agosto 2009

Tchau e Benção


Fecho essa semana com poucas palavras...
Mesmo que amanhã seja feriado ... o dever me chama.
Talvez rabisque algo ... talvez não.
Talvez aproveite um pouco do tempo vago para me distrair.
A todos um ótimo final de semana desde já...

13 Agosto 2009

Temporada das Flores

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores...
(Leoni)







Noturna

























Num canto escuro

Pequenos goles de solidão
A noite esclarece o que o dia escondeu...

O que o dia escondeu...


























Todas as noites são iguais
De longe os disfarces
Parecem reais ...




Capital Inicial - Todas as Noites

Bichano

Acho que o gatinho da minha prima não estava muito a vontade com a minha presença ...

Construção






Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

12 Agosto 2009

O anfitrião da estrada

As fotos que seguem foram tiradas pelo polonês Mariusz Budzis na estrada que leva a Mina Onça Puma, da Companhia Vale do Rio Doce , em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará. O João Gabriel amigo e frequentador do blog me enviou por e-mail na semana passada.



Por adorar fotografar pássaros, alguns amigos meus me chamam de 'passarinho'. Outros me deram o apelido carinhoso por conta da simbologia presente nas aves, 'elas voam e são livres'.







Diálogo de Emergência


Ontem pela manhã acabei fazendo contra vontade uma visitinha ao Hospital. Súbito mal-estar. Depois da análise prévia da médica de plantão... hora das agulhas.

Do lado direito o cara da coleta de sangue, do esquerdo a auxiliar de enfermagem com um soro e uma injeção intramuscular.

- Quem vai primeiro? – Eu pergunto.

- Melhor ela.

- Vai logo você. – A auxiliar retruca.

- Meu Deus vai ser uma luta encontrar sua veia. – Exclama ele segurando meu braço direito.

- Aplica logo a intra. – Peço.

A auxiliar me olha.

- Não tenho medo de injeção. – Esclareço. Agulhas não me assustam.

Ela sorrir.

Acho que meu organismo pressentiu que algo doloroso iria adentrar minha pele. Encolho-me.

- Não faça isso! – Pede a moça. Principalmente na hora que te furar. Não era você que não tinha medo?

- Certo. – Digo sem graça.

Termina. Não dói nada. Meu psicológico mentiu para mim. Olho para o rapaz da coleta.

- Vamos lá!

- Você está nervosa? Sua veia não esta aparecendo. – Pergunta ele.

Aponto um finíssimo fio azul no braço branco.

- Tenta essa.

A veia estoura.

Contrariando toda e qualquer possibilidade começo a chorar. Sim chorar. Choro, choro, compulsivamente. A agulha ainda na veia.

- Está doendo? Pergunta o rapaz espantado.

- Não! – Respondo em meio as lágrimas.

- Porque você está chorando então?

- Porque estou muito emotiva e sensível hoje e você errou minha veia.

- Tá sensível?

- Sim.

- Então pode chorar. Aproveita. Se perguntarem a gente diz que foi porque errei a veia. É sempre bom chorar.

Enxugo as lágrimas.

- Pronto passou. Pode continuar.

- Fica tranqüila, já acertei. Viu nem doeu.


Na verdade nesses momentos viramos crianças. Tudo o que queria era a minha mãe do meu lado. Ela apareceu meia hora depois, desesperada. O mais lindo foi a expressão de preocupação dela. Confesso que até pude ver uma lágrima rolando pelo rosto. Um máximo!Virei o bebê da mamãe.

07 Agosto 2009

O perfume

- Que perfume é esse?

Ele cheira a gola da camisa.

- Perfume? Que perfume?

- Esse que você está usando!

- Eu não estou usando nada.

- Está assim do contrário não estaria te perguntando.

- Deve ser o desodorante antitranspirante.

- Não é.

- O sabonete.

- Sou eu que compro seus sabonetes e essa fragrância não lembro ter comprado!

- Vai ver é do shampoo, o condicionador, a loção pós-barba, sei lá! Que diferença isso faz?

- Toda diferença! Você é meu namorado!

- E daí? O que o fato de ser seu namorado tem a ver com perfume que você está sentindo?

Silêncio.

- Você tem outra!

- Eu tenho o quê?

- Outra!

- Você pirou? – Questiona ele surpreso.

- É claro! (pausa) O perfume é da outra! Uma fragrância chinfrim dessa só podia ser de uma mulher desqualificada, sem estilo e burra.

Ele sorri das afirmações.

- Como você sabe que ela é desqualificada, sem estilo e burra? E se ela for o contrário?

- Luís Augusto quem é ela? – Ela grita.

Silêncio novamente. Ele senta no sofá. Baixa a cabeça. Ensaia por onde começar. Centra o olhar na mesa da sala. Ela sentada do seu lado. De pijama. Assistindo um desses seriados sobre mulheres mal-amadas. Ela adora esse tipo de programa. Cabelo despenteado. Barra de chocolate sobre a mesa. Ele desabotoa o primeiro botão da camisa. Está quente. São 22h30.

- Você tem certeza que quer saber? Pergunta tranquilamente.

Ela desmorona.

- Quero. – A afirmação soa baixinha, quase sussurrada.

Ela não esperava isso. Francamente não. Como agir dessa forma. A vontade dela era de correr para o quarto, trancar a porta e chorar abraçada ao travesseiro.

- Eu há conheci outro dia.

Pausa.

- Em uma festa. Na casa de um amigo. Nossa ela estava maravilhosa. A mulher mais bonita que já vi na minha vida. Sei lá tinha uma coisa entre nós. Amor a primeira vista. É isso! Amor.

Ele a observa. A expressão dela fica cada vez mais triste.

- Meu Deus! Um avião! Que corpo. Que sorriso.

Ela continua calada.

- Nunca pensei que uma mulher linda como aquela viesse falar comigo. Logo eu! Eu!

Ela se revira no sofá. Abraça a almofada. Contempla o bordado. O olhar fixo no objeto.

- Eu vou casar com ela.

Ela se assusta.

- O quê?

- Vou casar com ela!

- Mas o que está acontecendo?

Ela caminha pela sala.

- Meu Deus! O que foi que eu fiz meu Deus. Por quê? Porque comigo?
- Eu ia te contar. Sabe tenho ensaiado isso há alguns dias, mas quando te vejo eu fico sem reação. As palavras não saem. Eu não consigo, mas hoje. Hoje. Quando entrei no elevador eu prometi pra mim que não passaria. Eu preciso te falar. Voltei pra casa decidido. Emprestei até o perfume de um amigo no escritório. É por isso o cheiro. Queria estar perfumado. Você não gostou do perfume?
Ela permanece calada. Desconsolada observa pela janela os carros lá fora. Ele mete a mão no bolso. Levanta do sofá. Aproxima-se. Beija o ombro dela. Ela recusa. Não entende. As lágrimas começam a rolar no rosto.

Ele respira fundo.

- Quer casar comigo?


06 Agosto 2009

Até logo ...


Despedidas são sempre despedidas...

Não há preparação. No fim sempre costuma falhar. As lágrimas correm e por mais que se diga 'até breve' não é a mesma coisa.

Tenho uma facilidade enorme de me apegar às pessoas. Sou deveras humana e sensível. E o meu ‘até logo’ saiu fraquinho por causa da enorme vontade de chorar.

Alguns amigos me dizem que tenho um jeito meio mãe, vai ver foi isso. De certa forma eu criei você e em quase onze meses, você aprendeu muitas coisas. A experiência nos proporciona isso; ensinar um pouco do que sabemos.

Pequena - Grande ‘Daniella’ gostaria muito de escrever um post enorme, umas das minhas crônicas, mas hoje infelizmente você levou as palavras com você...

Amiga boa sorte na sua nova jornada!

04 Agosto 2009

Amigo

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