1.3.09

Personagens do descaso

Edson e Maria são dois das centenas de santarenos que sofrem com o descaso agravado pela chuva que cai na cidade nessa época do ano.

Maria de Fátima perdeu tudo na enxurrada que atingiu o bairro do Uruará essa semana. Por causa das obras do PAC a lama não chegou ao rio e alagou a casa da senhora que teve que sair às pressas antes que morresse afogada. O drama dela foi contado aqui alguns meses atrás quando questionava sobre a dignidade de muitos moradores que residem em áreas periféricas.

A história de Maria me chamou atenção quando ela apareceu na edição do Jornal Tapajós mostrando as mãozinhas do neto tomadas pela micose ocasionada pela água contaminada que era distribuída na localidade onde ela mora. Para tentar amenizar o incômodo que a doença causava na criança, ela fazia aviõezinhos de papel para vender na orla da cidade. O dinheiro que antes era destinado a comprar comida, passou a ser utilizado para comprar água mineral.

Maria voltou aos jornais desta vez contando que perdeu tudo.

O segundo personagem é Edson. Ele mora no bairro do Santo André. O lugar não faz fronteira com o rio Tapajós, mas em compensação têm um fosso que funciona como o lixão. Com a chuva o lugar encheu e transbordou. A água junto com o lixo invadiu diversas residências e muitas famílias tiveram que abandonar seus lares.

Edson viu na lagoa suja um lugar para brincar. Ele armou uma jangada de paus e pedaços de isopor e passou a 'navegar' em meio a lama. Para não ir sozinho ele levou seu cachorrinho.

Um comentário:

  1. Anônimo1.3.09

    Jornalista, diria que é quase impossível solucionar de vez esse tipo de problema nas médias e grandes cidades. Por que digo isso? Porque nenhum prefeito tem interesse em resolver o problema pela via mais sensata:

    1)Restrições à população na ocupação de áreas inundáveis e de riscos( encostas, morros, próx. a aterros sanitários, às margens dos rios etc.);

    2)Educação da população, além de atuação junto aos Bancos que financiam obras em áreas de risco;

    3)Elaboração de um Plano Diretor de Drenagem Urbana. Nenhuma cidade brasileira o possui;

    4)Vislumbrar a redução significativa nos gastos com a saúde da população - se fossem tomadas as devidas precauções -, quanto à contenção das enchentes, uma vez que, além dos prejuízos materiais e humanos, muitas são as doenças de veiculação hídrica(leptospirose, cólera, entre outras), sem esquecer da contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamento, lixões etc;

    5)Alocação de maiores recursos financeiros às políticas públicas habitacionais, numa parceria com Bancos, Empresas Privadas, Ongs, Sociedade Civil, bem como uma participação mais efetiva do Poder Público, voltada à população de baixa renda, sem vínculo bancário e financeiro, quase sempre à margem das "benesses".

    Essas medidas não-estruturais não trazem votos.A ordem é contruir grandes obras (barragens, represas, diques etc) - quase sempre inúteis - que os dê visibilidade e prestígio político, não importando a que custo(social, econômico e ambiental) isso seja feito . Sem contar que, quando ocorre a inundação e o município decreta estado de calamidade pública, ele passa a dispor de recursos a fundo perdido para gastar sem restrições(sem licitação). Ou seja, Jornalista Dannie, soluções para os nosso problemas e mazelas, no Brasil,temos pra dar, vender ou emprestar. E como somos brasileiros, daqui a pouco essa enchente passa, a vida segue seu curso normal(literalmente), todo mundo esquece, até que a próxima[enchente] bata à nossa porta, constituindo-se no fenômeno que podemos muito bem chamar de "eterno recomeço de uma "agrura ". O Estado de Santa Catarina que o diga !

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