29.12.08

Por que todos amam Marley

Se todos os donos de cães do Brasil decidirem assistir a Marley & Eu, faltarão assentos nas 160 salas de cinema onde o filme será exibido a partir do dia 25. O país tem a segunda maior população mundial de cães, 31 milhões, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação. Talvez por isso o Brasil tenha sido escolhido pelo estúdio Fox para a estréia mundial da produção ao mesmo tempo que os Estados Unidos, campeões absolutos do ranking de bichos domésticos.

Não duvide do potencial do filme de David Frankel, diretor de O Diabo Veste Prada e Sex and the City, para interessar a todas essas pessoas. As peripécias do labrador da família Grogan poderiam ser as de qualquer vira-lata ou com pedigree. Marley não é um super-herói canino, como Lassie ou Rin Tin Tin (leia no fim da reportagem). É apenas “um pé-no-saco engraçado e extraordinário, que nunca entendeu muito bem como acatar uma ordem”, nas palavras de seu dono, o jornalista americano John Grogan. Mesmo assim, ao pôr no livro Marley & Eu os momentos de indisciplina e companheirismo do “pior cão do mundo”, Grogan se tornou um dos maiores êxitos de venda do planeta. No Brasil, onde foi lançado em outubro de 2005, Marley & Eu está há 110 semanas nas principais listas de livros mais vendidos do país (600 mil exemplares). A ele seguiram-se outros livros e filmes protagonizados por animais (confira no fim da reportagem). “Falar sobre animais domésticos é um ponto a favor de qualquer livro”, afirma André Castro, diretor-executivo da Ediouro Publicações, que lançou Marley no Brasil.


Grogan teve a competência de ver, antes dos outros, que seu cotidiano tinha uma história interessante para muitos. “Os animais estão ficando cada vez mais importantes”, afirma James Serpell, zoólogo e professor da Faculdade de Veterinária da Universidade da Pensilvânia. “Nos Estados Unidos pelo menos, o apoio das redes sociais tradicionais, como família e amigos, está cada vez mais fragmentado. As pessoas buscam a companhia dos animais para preencher esse vazio.”


Autor de vários livros sobre a interação entre animais e seus donos, Serpell acredita que a urbanização contribuiu para a aproximação entre cães e humanos. Na área rural, os bichos domésticos costumam passar a maior parte do tempo fora de casa. São como amigos. Nas cidades, eles dividem o mesmo teto, o tempo todo, com os donos. São como filhos. “À medida que o cão fica fisicamente mais próximo, cresce a intimidade”, diz Alexandre Rossi, zootecnista especializado em comportamento animal. “Ele deixa de ser um animal que fica no pasto das fazendas para ser praticamente um filho dentro dos apartamentos.”


Com sua fidelidade canina ao livro, o longa – com Owen Wilson e Jennifer Aniston no papel dos donos do cão – deverá agradar aos fãs. Mas há menos Marley no filme que os apaixonados por animais podem esperar. “Senti falta das caretas dele, do olhar expressivo, de suas trapalhadas”, diz um dos que já viram Marley, o crítico Rubens Ewald Filho, ele próprio dono de um labrador e de um cocker spaniel.


O barulho, durante a exibição a jornalistas de Marley & Eu, de vários narizes sendo assoados no momento mais triste do filme pode ser uma prova da ligação afetiva que muitos estabelecem com seus bichos. “Às vezes, as pessoas choram mais com a morte de um cachorro do que com a de uma pessoa da família”, afirma Mauro Lantzman, médico veterinário com doutorado em Psicologia e dono de um labrador. “Isso acontece porque, na relação com os animais, a afeição não tem os limites que existem entre os seres humanos.” Daí a conclusão de que os cães são capazes de um amor incondicional, sem preconceitos ou julgamentos, raro entre as pessoas. “Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele”, diz o personagem de Grogan no filme.


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Um comentário:

  1. Todo dia quando chego em casa tem alguém feliz me esperando, ele pula, chora, late e balança a cauda de um lado para o outro demostrando sua felicidade, talvez ela entenda o que eu diga ou não,
    passo o dia todo fora de casa, nem sei por que ele sente tanta falta de mim, sempre quando posso faço um cafuné na sua barriga e na sua cabeça, e mesmo me mordendo e me babando ele é uma ótima companhia.
    O livro e o filme falam do que todos já sabem, do amor que existem entre os humanos e os animais, se vc não tem cachorro em casa, ou se não gosta de bicho, é melhor esquecer tudo isso que eu disse ai em cima concerteza você não vai entender, e se você tem um animal em casa trate ele com todo o carinho do mundo, afinal você pode não entender mais eles tenta fazer o mesmo por você...

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