11.12.08

O Esso e a Igreja Universal

A grande vencedora do 53º Prêmio Esso de Jornalismo 2008, entregue na noite de ontem (terça-feira, 9 de dezembro), foi Elvira Lobato, com a série de reportagens “Universal chega aos 30 anos com império empresarial”, para a Folha de S. Paulo. Esse trabalho, que agora lhe rendeu R$ 30 mil pela conquista, lhe custou anteriormente, como muitos devem se lembrar, 105 processos (62 deles já por ela vencidos) e um polêmico uso de sua imagem nas telas das afiliadas da Record, rede de propriedade da mesma Igreja Universal, atacada na matéria.

A festa de premiação, no Copacabana Palace, na noite desta 3ª.feira (9/12), foi apresentada por Renata Cordeiro e Marcos Hummel.

Antes de conhecer o resultado, Elvira falou à editora Regional deste J&Cia no Rio de Janeiro, Cristina Vaz de Carvalho: "Eu me sinto muito honrada por ser finalista. Recebo a indicação como um desagravo, uma resposta à tentativa de calar a imprensa”. Dá para imaginar, agora que ela já sabe que ganhou o prêmio, o quanto isso deverá representar para a sua carreira e para o bom trabalho que fez naquela série histórica.

Ironia do destino, o outro mais importante prêmio da noite, o da categoria

Telejornalismo, foi vencido por...

Este colunista dá um picolé de limão para quem acertar. Sim, acertou quem arriscou Rede Record. Fácil, não é mesmo? Então é só entrar na fila e aguardar o picolé.

A Record, com a equipe integrada por André Felipe Tal, Ricardo Andreoni, Jorge Valente e Marcelo Zanini, ganhou o Esso de Telejornalismo com a reportagem “Dossiê Roraima: pedofilia no poder”, exibido no Domingo Espetacular, da emissora que tem o bispo Edir Macedo como seu principal mandatário, e que foi alvo da matéria de Lobato.

Ou seja, dois júris diferentes, um para mídia impressa e outro para telejornalismo, concederam aos veículos que mais se estranharam este ano as duas principais categorias do Esso.

Coisas da vida e que poderiam ser diferentes caso a Rede Globo desistisse da polêmica decisão de boicotar o prêmio desde o ano em que se sentiu injustiçada pela escolha. Decisão que também a revista Veja adotou anos atrás e que só a ela, Veja, traz prejuízos. O prêmio continua vigoroso e desejado como sempre, por dez entre dez jornalistas do País, inclusive entre os que trabalham na Globo e na Veja. Com essa decisão, esses veículos têm permitido aos concorrentes brilharem, como foi o caso este ano da Record, que venceu na categoria Telejornalismo, e da revista Época (da mesma Organizações Globo), ganhadora do Esso de Informação Científica, Tecnológica e Ecológica, com Suicídio.com, de Eliane Brum, Solange Azevedo e Renata Leal.

Outra coisa curiosa é que o boicote de Veja ao prêmio não é adotado pelas demais publicações da Editora Abril, caso da Superinteressante, que sempre se inscreve e vive beliscando prêmios, como aconteceu este ano na Categoria Criação Gráfica Revista, pelo trabalho “Quando a máquina dá pau”, produzido por Adriano Sambugaro, Josi Campos, Carlo Giovani, Fabiano Silva e Rodrigo Ratier.

E os demais vencedores da noite? Vamos a eles:

O Esso de Reportagem foi para Ana Beatriz Magno e José Varella, do Correio Braziliense, com o trabalho “Os brinquedos dos Anjos”.

Clóvis Miranda, de A Crítica, de Manaus, levou o Esso de Fotografia com “Martírio no Presídio”.

O Globo, com a matéria Desemprego Zero, de Fabiana Ribeiro, Lino Rodrigues, Higino de Barros e Henrique Gomes Batista, venceu na categoria Informação Econômica.

Na categoria Especial de Primeira Página venceu O Dia, com “Cientistas brasileiros fazem alerta: mais terremotos vêm aí”, de autoria de Alexandre Freeland, André Hippert, Breno Girafa, Ana Miguez e Luísa Bousada.

A Folha de S.Paulo ganhou também o Esso de Criação Gráfica – Categoria Jornal, com “Cigarro e álcool na adolescência”, de Renata Steffen, Fernanda Giulietti, Ivan Finotti, Alexandre Jubran, Tarso Araújo e Letícia de Castro.

O Esso Especial Interior ficou com o Diário de Santa Maria, com a matéria “No coração do Haiti”, escrita por Iara Lemos.

As três categorias regionais foram vencidas respectivamente por Diário de Pernambuco (Regional 1), com “Hanseníase”, de autoria de Sílvia Bessa e Marcionila Teixeira; Estado de Minas (Regional 2), com “Sangria na saúde”, de Alana Rizzo, Thiago Herdy, Maria Clara Prates e equipe; e O Globo (Regional 3), com “Tribunal do tráfico”, de Mauro Ventura.

Para a distinção de Melhor contribuição à Imprensa em 2008 foi escolhido o projeto Diário em Braille, do Diário de Pernambuco, iniciativa que consistiu em editar diariamente exemplares em braille e distribuí-los gratuitamente a entidades de apoio a deficientes visuais.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia "Fontes de Informação" e o livro "Jornalistas Brasileiros - Quem é quem no Jornalismo de Economia". Integra o Conselho Fiscal da Abracom - Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas. (Comunique-se)

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