17.11.08

Guardar um segredo é quase como mentir


Se lhe contarem um segredo e pedirem para não contar para ninguém, você consegue?

Guardar um segredo é mais ou menos como mentir. As duas coisas dependem de o córtex pré-frontal, uma parte da frente do cérebro, conseguir conter seu ímpeto de fazer sempre o mais fácil: falar a verdade. É isso mesmo: contar a verdade, contar tudo, é a tendência natural do cérebro.

Quer experimentar? Então vamos lá: responda rápido e em voz alta com uma mentira: Em que cidade você nasceu?

A primeira resposta que vem à cabeça é a verdade, aquela que seu cérebro aprendeu com a experiência a associar às idéias "cidade", "eu" e "nascer".

Ao encontrar a resposta verdadeira sem fazer esforço, as áreas do seu cérebro que produzem a fala se preparam para dizer a verdade. Para mentir, é diferente, bem mais complicado. O córtex pré-frontal tem que conseguir eliminar a resposta verdadeira.

Depois tem que buscar no seu banco de dados cerebral uma resposta alternativa: o nome de outra cidade, a mentira.

Essa busca exige o funcionamento de outras regiões que cuidam da linguagem. Nessa confusão toda, uma parte do cérebro especializada em conflitos é fortemente ativada.

É o córtex cingulado anterior. Ele chama nossa atenção para o problema a resolver. No caso, pôr de lado a verdade, achar uma mentira, e ainda não dar com a língua nos dentes.


Enquanto você mente ou esconde um segredo, é como se essa parte do cérebro ficasse gritando: "mas eu sei que não é isso!!", o que deixa qualquer um aflito.

Mas pelo menos para os segredos, a neurociência tem um remedinho. Se você não agüenta guardar seu próprio segredo, mas não também não quer que ele se espalhe por aí, conte para duas pessoas ao mesmo tempo. Você chama as duas e conta tudo.

Assim elas poderão aliviar seu cingulado anterior falando sobre o segredo uma com a outra e ele ficará a salvo dos outros por mais tempo. (Fantástico)

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