20.11.08

Brincando de ser herói

John, eu sou o John.” É dessa maneira que a pequena Shiloh, filha dos atores Brad Pitt e Angelina Jolie, gosta de ser chamada em alguns momentos. Pedir para trocar o nome de batismo pelo de personagem faz parte do desenvolvimento da criança, e é mais normal do que você imagina.

Criança é tudo igual, em qualquer parte do mundo. Shiloh, filha de Brad Pitt e Angelina Jolie, não quer mais ser chamada pelo nome. A pequena, de 2 anos e meio, está tão apaixonada por Peter Pan que há momentos que só aceita quando se referem a ela como John (irmão de Wendy) ou Peter.

A revelação, feita pelo ator em entrevista ao programa da Oprah Winfrey pode a princípio, preocupar os pais, mas não há motivo para tanto.

Segundo Rita Callegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP), esse comportamento, de querer ser chamada pelo personagem de que gosta, é comum até os 6, 7 anos. A criança nessa faixa etária não tem distinção de fantasia e realidade. Mais tarde, no entanto, conforme vai amadurecendo, ela começa a fazer uma divisão entre os dois pólos.

“Ao fazer esse tipo de brincadeira, é a relação da criança com o mundo do faz-de-conta muito presente ali. E é parte do desenvolvimento infantil”, diz Rita. O sexo do personagem, aliás, não importa. Não é esse o foco da criança. No caso de Shiloh, por exemplo, suas preferências são os meninos, e isso não significa nada além de sua afinidade.

Por isso, nada de chamar a atenção do seu filho, que vai ficar bem bravo com sua atitude. Para você, pode ser só mais uma brincadeira, mas, para a criança, naquele momento ela é aquele personagem. É um jogo do bem.


A hora de intervir na brincadeira

Todo personagem traz em si um mito, um conjunto de adjetivos que transmitem valores. O Homem-Aranha, por exemplo. É o mocinho da história, supera obstáculos, tem dilemas. Uma criança de 4 anos faz essa análise de maneira inconsciente.

Por isso, observe quem é o personagem com o qual seu filho se identifica. Se representar algo de que você desaprova, fique atento ao que ele anda assistindo. “São os pais que influenciam os valores da criança, pois são eles que aprovam o desenho a que o filho assiste, os CDs que compram, o programa de TV”, afirma Rita.

Por outro lado, um personagem negativo pode ainda significar muita coisa. Segundo a psicóloga, se a criança é muito dócil, um vilão pode ser uma forma de ela expressar a sua agressividade de maneira saudável. Assim, o melhor a fazer se perceber que algo não está bem, é procurar o profissional. Inclusive, se a criança já passou dos 8 anos e a brincadeira continua. O especialista vai analisar sem julgar o pequeno e compreender o contexto todo da história que o envolve para direcionar os pais a agir de maneira que só possam ajudar aquela criança. (Revista Crescer)

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